Mostrando postagens com marcador calor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador calor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dia 1 - sobrevivência

Rio de Janeiro. Dia 1. Não sei bem quando aconteceu. Como toda guerra, a hora exata do começo ou do fim são delimitadas apenas nos livros de histórias, após a guerra acabar, e por gente que não esteve  nas batalhas. Mas essa não terá ninguém para escrever sobre, é a luta final da humanidade, ao menos no hemisfério sul. Resolvi chamar esse 1 de janeiro de 2017 de Marco Zero da Verdadeira Grande Guerra. Espero que não se incomodem.
São 6:35 da manhã do dia 2 de janeiro. Chamo de Dia 1 porque sobrevivi ao Marco Zero. "Sobrevivi", eu quis dizer. Afinal de contas, não sou velho aposentado e nem criança remelenta para me dar ao luxo de acordar nesse horário sem precisar - pois apenas os desocupados acordam voluntariamente na hora em que os ocupados precisam acordar; embora me ache um desocupado funcionalmente falando, quis dizer socialmente. Talvez fosse melhor eu expressar-me dizendo que só os que não lambem uma buceta com vontade ou que não devoram um caralho com a voracidade de uma pessoa faminta - os velhos ou as crianças - acordam sem motivo a essas horas da madrugada, em condições normais. Mas a VGG (verdadeira Grande Guerra) não tem nada de normalidade.
Muitos sucumbiram antes do Dia 1 raiar. Tenho minhas dúvidas se eu não preferia ser um deles. O calor entra em minhas narinas e rasga-me por dentro; o ar sufoca, e não há poesia nisso, acredite. São agora 7:28, e tenho traçadas apenas algumas linhas. Deitado, com dois ventiladores em cima (ar condicionado foi extinto pelo governo , agora, apenas quem é do mesmo - governo, que fique claro- pode usar esse aparelho), mas a moleza no corpo não me deixava dormir ou escrever: o vento gerado apenas servia para espalhar as gotas de suor pelo corpo, como se os ventiladores brincassem de ping-pong orgânico, rastro de suor embaixo do peito, para a esquerda... Parei, entrei no banho, joguei-me nu e molhado, com os pêlos do saco e da barba pingando, em frente ao ventilador. Refrescante, porém temporário. O saco contrai-se e os ovos dançam, como se estivessem vivos; a superfície vai enrugando-se e ficando seca. As poucas gotas de água estão nas pontas dos pêlos já, a sensação térmica agradável some e é melhor começar o preparo psicológico para o dia que nasce. Por isso demorei quase uma hora para esse esboço de diário. "Por causa do balé de suas bolas?", você pensa; é, pelo balé das minhas bolas.
Olho o mapa. Piscinas a serem invadidas durante o percurso, mar aberto que serve de refúgio. Bolsa fechada a vácuo para que os mergulhos não enferrugem as armas: Ok! A caminhada rumo ao aeroporto é longa, e o calor está, literalmente, matador. O clima nas ruas é de guerra, e preciso partir antes que todos tenham a mesma idéia: conseguir na brutalidade uma passagem para a Dinamarca, Suécia ou qualquer lugar onde eu consiga sobreviver, diferente dos 87º do Rio de Janeiro - pois a inflação desses bilhetes, devido à lógica do livre mercado, fez atingir valores que apenas quem já roubou mais do que pode gastar em vida tem a chance de comprar. E sim, onde eu possa refrescar meu saco. Tudo gira em torno da região pélvica depois de certa idade.
Abro a porta. Minhas narinas queimam por dentro, preciso me acostumar. É hora de sair. Espero que volte a escrever no espaço para o Dia 2.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Calor desgraçado

Calor de derreter elástico. Sim, você sabe, o elástico está no lugar dele, mas colou no papel, e você puxa mas ficam resquícios de elástico no papel. Enfim, o negócio é fugir do calor.
Não tem ar condicionado, vamos prá cozinha: copo grande, limão espremido, água gelada! Taca açúcar, taca gelo; o gelo estala no copo. Essa merda tá gelada mesmo!!!
Mexe com uma colher, salivando de beber aquela maravilha... Pega o copo, prepara-se e... Gluuuuuuc gluuc. Num gole você termina com metade do copão. Tá gelado pra caralho, mas... Estranho... Não tá gostoso, não...
Porra, como pode, nesse calor, uma limonada gelada não estar boa? Olho para o pote de açúcar. E penso nessa maldita industrialização, transformando tudo, tornando tudo com cara de "limpo". Açúcar, que vem da cana, do melado, escuro, acaba no fim do processo sendo branco, fininho, igual... Sal!
Êta, buceta!!!
Foda-se, tá ruim, mas tá gelado!!!

Pequeno poema sobre o assunto:

"Calor desgraçado
Suco gelado
Gelo estalado...
Mas o pote errado..."

domingo, 27 de dezembro de 2015

8:49

Foi apenas um minuto. Mas, sem querer ser clichê, sendo: pareceu uma eternidade. Rio de Janeiro, zona norte, subúrbio, braz de pina, um quartinho onde o sol faz questão de bater todas as manhãs, sem folga, na parede, tornando-a uma frigideira em potencial. Eram 8:49, horário para qualquer ser normal estar dormindo, e era o que fazia nosso amigo F., mesmo com um calor escroto, combatido apenas com um ventilador. Ao menos o mantinha vivo. Mas, como eu disse, eram 8:49, e ninguém saberia que eram 8:49 se todos continuassem dormindo; viraria 8:50, 9:00, e foda-se, vários minutos que nunca tive consciência da existência em minha vida; mas esse minuto, não; esse marcou.
Às 8:49 faltou luz. O ventilador parou. A respiração veio com dificuldade, parecia estar em uma fornalha. Nosso amigo F. pegou instintivamente o celular (porque, né, vai que tem o aplicativo daquela porra começar a girar e virar um ventilador) e foi aí que ele viu a maldita hora: 8:49. Praguejou e percebeu que havia faltado luz. Tentou virar pra cima, pra ver se deixava de derreter na cama; não adiantava. E então, uns vinte segundos após o ventilador parar, deu um estalo que trouxe a expressão do desespero para aquele recém-acordado (e então totalmente lerdo devido ao sono e ao calor) F.. Apenas agora ele percebia o horror daquela falta de luz: o ventilador parar apenas o faria levantar mais cedo, ficar de mau humor, mas mau humor era seu sobrenome mesmo, então nada que ficar na sombra tentando achar onde o vento bate mais não resolvesse. Mas tinha algo que parecia perdido, e o desespero aumentava, o que parecia aumentar-lhe o calor também; seu corpo parecia que iria explodir.
Então, lembrou-se da solução - ele estava lerdo, tinha acabado de acordar, relevem... - e a decisão estava em suas mãos: usar ou não usar o trunfo? Pensou um pouco e viu: dessa vez era necessário. Já usara tantas vezes por motivos menos nobres, porque regularia agora?
Pegou o celular. Ele já marcava 8:50. Foi em Ajustes; Celular. Olhou para o botão que conectaria o 3G; aguardou por um milagre. Fechou os olhos e direcionou o dedo para conectar. Ia pagar os R$ 0,99 que a Claro cobrava por aquela internet de merda. Decidiu-se, é emergência. E... Vruuuuuu... O ventilador voltou! A luz voltou! O dedo quase conectando voltou! O wi-fi voltou!!!
Pronto, agora ele poderia reclamar no facebook da falta de luz, do calor, do plano da Light de matar os cariocas, em complô com a CEDAE, fazendo faltar água num dia, luz no outro. Enfim. Foda-se o calor. O negócio é poder reclamar no Facebook!!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Calor

Calor de assar rola na buceta.
Calor de suar o saco.
Calor de suar embaixo do peito.
Calor de deixar cueca com cheiro de cu.
Calor de melar peido.
Simplesmente, calor.