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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Gotas

Não importa se a rotina é lasciva ou tediosa. Ela sempre acaba instaurando-se na vida do casal. Esse modelo "casa / trabalho / casa" em que se vive é um grande parceiro dela. Começa agora uma história corriqueira, dessas que acontecem em diversas casas no Brasil e no mundo; mas contada através de pequenas gotas.


Gotas de Saliva

O último que chega em casa dá um beijo, conversam sobre o dia no trabalho ( problemas e situações estressantes que não levam nenhum assunto a um final feliz). Entre afazeres domésticos, gasta-se saliva falando do que não foi legal; vez ou outra surge a lembrança de algo inusitado, engraçado, e há um vigor maior para contar esses acontecimentos. No mais, o tom é sempre morno ou exaltado para o negativo.
De alguma forma, nesse ambiente sombrio, uma mudança súbita no ar, ou um cheirinho de tempero que pegou o vento certo, ou um som que surge do nada, uma música, qualquer elemento que traz à tona a paixão entre os dois, sem explicação, faz mãos deslizarem e os corpos encaixam-se, com certo pudor, entre si. Pescoços se roçam, a barriga dele encosta na sinuosidade das costas dela, e a saliva, antes gasta com a fala, passa a ter outro valor no silêncio, e é trocada entre línguas famintas.

Gotas de Lubrificação


As mãos mexiam-se em um movimento menos frenético do que as línguas, mas não com menos sensibilidade e uma coordenação digna de um balé russo: uma delas penetra por baixo da blusa, na barriga, e sobe até o mamilo dela; no movimento oposto, a mão dela desce, por cima da camisa dele, e entra na calça, segurando a base do pau dele com a mão para baixo; a outra mão dele já vai tentando chegar à calcinha, para desviá-la do caminho, e todos esses movimentos que o corpo naturalmente segue, sem muito raciocínio, evidenciando o instinto animal do ser humano.
A saliva continua sendo gasta, mas espalhando-se ao longo dos corpos. Nucas, mamilos, pernas, pau, buceta, cu. Ela mistura-se com os fluidos lubrificantes naturais; a boca dele agora recebe um pouco da baba salgada da sagrada caverna; ela puxa um fio de gosma de uns 15 centímetros, que estende-se de sua língua ao pau dele. Impossível discernir, nesses fluidos, o que é lubrificação dos órgãos genitais e o que é saliva. Mas é possível ver muita vontade.

Gotas de Suor

A temperatura média do corpo humano varia entre 35,5 e 37º C, mas com os atritos pacíficos entre os corpos parece estar mais de 40 graus. Os dois começam a suar. O gosto salgado do suor mistura-se às respectivas babas genitais, tanto na sua origem quanto nas bocas a que destinaram-se. O sexo afirma-se sempre como prato principal (porque se fosse sobremesa, seria doce).
Embolam-se completamente formando um corpo disforme. Quebram a lei da física, de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço: ela preenche seu amor oco com a vara que oprime tantas vidas há séculos, mas que nesse momento dá vazão aos desejos mais animalescos que há dentro dos dois.
Embora agora estejam mais juntos do que em qualquer momento anterior, com um dentro do outro, não há mais atrito; a lubrificação mútua faz os movimentos deslizarem suaves, mesmo que os dois estejam forçando contato. Está tudo tão molhado que ameniza o impacto, e ele acaba sempre deslizando para o interior.

Gotas de Porra

A constância dos movimentos, o ritmo, o rebolado dela. Aquele invólucro de gosma na pele, que facilita os movimentos e vai aumentando o prazer. Os dedos dele pressionam e escorregam e voltam a pressionar a campânula acima da entrada, enquanto uma parte dele entra e finge sair e entra novamente. Ela ainda agüenta um pouco mais. Ele está explodindo.
Ela mexe de um jeito que enlouquece os dois, evocando talvez dons ancestrais escondidos pelo superego; ela gosta cada vez mais dos esbarrões em toda a sua buceta; ele precisa segurar-se um pouco mais para ela poder transcender. Os movimentos dela estão em progressão geométrica de alternância e pareceu atingir um nível máximo de poder. Ele tentou, mas não dá mais para segurar. Ele sente sua mente indo ao ponto mais extremo do universo, quando tudo fica confuso e escuro, e o caminho até lá começa pela base do seu saco, e vem crescendo junto com a viagem astral, explodindo em um mar de porra dentro do buraco feminino, que coincide com a sua volta ao mundo real.
O movimento dela não para mas ele diminui levemente com as mãos a freqüência dela, e vai diminuindo assim o ritmo de entra e finge que sai e entra de novo. Ela sente a enxurrada que está dentro de si, e agora o movimento mais lento, mas ainda contínuo, vai transformando a porra líquida em pedaços mais gosmentos e mais sólidos. Ele tira um pouco da pressão que seu dedo fazia ao redor do grelo, inconscientemente. Seu corpo está relaxando aos poucos. Ela sente o fim do momento e dá uma sentada derradeira no colo dele, colocando todo o pau para dentro, o máximo que pode, e deixando escorrer os blocos de sêmen solidificados, aos poucos. Voltam a trocar beijos.

Gotas de Água

Para que a porra não respingasse a parte líquida que eventualmente escorresse,  os dois correm, satisfeitos (talvez mais ele do que ela, afinal, alcançou o nirvana animalesco), para o banheiro. Ela entra no box, e começa a lavar-se. Placas de porra escorrem em suas pernas, tornando-se estranhamente uma espécie de gelatina quando entram em contato com a água. Ele para em pé, na pia, bota para fora a cabeça do pau, toda melada, e começa a lavar; gelatina também. Ela enquanto se lava percebe que também está tirando muito da sua baba natural.
Ele entra no chuveiro com ela. Tomam banho juntos e aquelas gotas de água morna os traz de volta à normalidade: nem falar de trabalho, nem transar como animais; olhar o outro como um par que escolheu para viver junto. Não há nada mais humano do que a tentativa de racionalizar o sexo e criar emoções ligadas a isso. Os toques das mãos agora não geram mais tanta lascívia, mas um carinho especial. Uma sensação de estar sendo amado e de ser entendido por alguém no meio de milhões. As gotas de água do chuveiro tiram todo o estresse cotidiano do corpo e o leva para o ralo, enquanto o casal abraça-se debaixo do chuveiro.

Gotas de Iogurte

A rotina continua, mas já tem data para ser quebrada: 1º de abril. Não se trata de uma inversão do dia pela brincadeira do dia da mentira, mas de uma viagem para o Nordeste, com a família dele. Passam-se dias e o instinto vampiresco de ver sangue não é saciado; mas o casal, um pouco desregrado e distraído pelas férias, não presta atenção às regras, literalmente. E assim passam-se semanas.
Voltam para o lar, e a vida a seguir seu ciclo, com a companheira rotina sempre descansando por cima do teto. Mas uma mudança faz a rotina ficar abalada: o café da manhã, sempre preparado por ele, passa a não ser consumido por inteiro. O pão fica pela metade e é levado por ela para comer mais tarde; o iogurte sobra quase metade no copo. Ela alega não estar conseguindo comer tudo, está embrulhada.

Gotas de Mijo

Todo dia o café pela metade. Ele já estava meio de saco cheio, parecia desfeita: acordar às seis e pouca da manhã, horário totalmente inadequado para alguém estar com os olhos abertos, ele fazendo sanduíches com recheios deliciosos, e ela sempre com aquela cara de desgosto ao comer. Desanima, mas ele continuou fazendo.
Ela apareceu gripada, e quando foram ao mercado, ela decidiu passar na farmácia para comprar remédio. Ele foi junto, mas enquanto ela pegava o dinheiro para comprar o antigripal da vida, ele foi e pediu ao farmacêutico um teste de gravidez instantâneo. Ela olhou para ele, estranhando; "ih, você tá curioso...". Ela pagou o remédio, ele pagou o teste e foram embora para casa.
Era véspera do aniversário dele, 11 de maio. Leram com atenção as instruções do teste na mesa da cozinha. Subiram, ela mijou no potinho e ele colocou o palito do teste dentro. Nenhuma tira vermelha significaria resultado inconclusivo. Uma tira significaria que não está grávida. Duas tiras, grávida.
Duas tiras.
- Pô, você podia ter deixado para me dar esse resultado amanhã, como presente! - exclamou ele.
- Mas foi você que fez o exame! - ela devolveu.
Ficaram felizes mas não tinham certeza. Podia ser alguma alteração da urina, e o exame indica "apenas" 99,9% de certeza.

Gotas de Sangue

No dia 12 de maio ficaram quietos, almoçaram com a família dele. O aniversariante morria de vontade de ter certeza, mas não podia falar nada. O dia passou e procuraram saber sobre exame de sangue para confirmar gravidez. O horário de coleta já tinha acabado em todos os laboratórios. O resultado podia sair no mesmo dia no sábado, dia 13, véspera de dia das mães. Tinham que tentar.
Acordaram às 7 horas da manhã no dia seguinte e foram ao laboratório para que ela tirasse sangue. Ela tirou e o resultado ficaria pronto na segunda-feira ou às 19 horas do sábado, se desse. Torceram.
Já tinham marcado com familiares e padrinhos um almoço para comemorar o aniversário dos dois. Fizeram comida para um batalhão e encheram a casa. Comeram e divertiram-se com o pessoal. Às 19 horas ele entrou no site para verificar se o resultado havia saído. Não. Apenas segunda-feira. Acabou a festa, e a euforia junto.

Gotas de Lágrimas

Depois de arrumar um pouco da bagunça, ele resolve checar de novo. Já são quase oito horas da noite.  O resultado saiu:
>25.000 positivo;
<25 .000="" b="" negativo.="">


Resultado: 128.663

A rotina estava quebrada. Conteve-se, pois ainda tinha visita em casa, e queria ter o momento deles. Avisou discretamente a ela. Levaram a última visita em casa. Voltaram no carro conversando normal. A ficha ainda não tinha caído. Voltaram para casa e viram o diagnóstico juntos. Choraram de alegria. Sabiam que a vida ganharia um nível de dificuldade, mas viam que a rotina seria quebrada por um pequeno ser que simbolizava algo especial para eles.Um ser surgido de cuspe, baba de buceta e porra, do que há de mais animal no homem; mas que estranhamente começaria como uma coisa pura e inocente.
Depois que a ficha caiu, as lágrimas de alegria seguiram o mesmo fluxo e não pararam mais de cair. 
E a rotina certamente foi quebrada.

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Nota do autor: foi a PRIMEIRA VIAGEM que fiz com a Luciana em que ela não ficou menstruada durante algum momento. True story.

sábado, 6 de agosto de 2016

Aniversário Giovanna 6 anos

Após eu postar um texto no facebook para Giovanna, ela ditou para Joyce uma resposta. Reproduzo aqui para deixar gravado o meu texto e o dela.

Eu: "Ontem foi aniversário dela, a coisinha mais bonita do titio!
Sou babão mesmo por causa dela, ela sabe que com o titio ela pode fazer bagunça, pode falar besteira, afinal, o adulto mais legal, que ela não sabe se é adulto ou se é criança ("você é adulto, tem 30 anos, mas tem um monte de brinquedo, titio!"), o único que deixa ela ver filme de terror escondido... E o único que sabe dar comida pra ela, fazendo boca de bicho, de monstro que come avião e mata todo mundo...
Enfim, uma sobrinha que espero que cresça sendo muito minha amiga!
Faz ela ler isso aí, Joyce!
BEIJÃO, CRIATURINHA MAIS LINDINHA DO TITIO!"

Joyce: " Li agora pra ela, ela disse "Onw, amei! Titio vc não sabe quanto eu te amo e vc não sabe quando eu olho em vc meu cérebro quase explode e vc é o tio mais lindo do mundo e vc é a criatura mais linda do mundo, um beijão pra vc e tia Lu tb! E o titio não pense q foi a minha mãe q escreveu isso pra você e pra tia Lu, tá bom? Foi eu q escrevi, não foi minha mãe e nem meu pai, nem ninguém... E pra vc tb tia Lu (Luciana Kani), a mesma coisa q escrevi pro titio é pra vc tb. Beijão!"

sábado, 5 de dezembro de 2015

Ceia de Natal


Noite de 24 de dezembro. Mesa farta. Jorge conversa com Noeli, sua sogra. Guilherme, filho de Jorge e neto de Noeli, brinca com Renato, seu primo, e conseqüentemente, sobrinho de Jorge e neto de Noeli. Os primos param perto da mesa e roubam pedaços de tender fatiado, colocando rapidamente na boca, para ninguém ver. Renato, o mais novo, cospe um belo pedaço mastigado no chão, e começa a sentir ânsia de vômito, o que chama a atenção dos presentes. Jorge interrompe sua conversa para dar a bronca:
- É, seu merdinha, quis roubar, agora come!! Tá vendo, olha a criação que o babaca do Pedro dá pro filho dele...
Dona Noêmia, mãe de Jorge e de Pedro, defende:
- Você já olhou o Guilherme? Tá com a boca cheia... problema de criação também?
Jorge vira as costas para a mãe e vai pegar mais uma cerveja. Elisa, mãe de Renato, finge que não ouve a provocação do cunhado e vai limpar as mãos do filho com um guardanapo.
*
Beto revira os poucos sacos de lixo que encontra nas ruas, vazias pela festa e pela chuva rala que caía. Prometeu à família que levaria comida para casa. Graça, sua esposa, aguardava com Letícia, a filha do casal, de 4 anos, famintas, quase dois dias sem comer uma refeição digna (que ao menos viesse em um recipiente).
Homem correto e tímido, Beto não tinha a desenvoltura para pedir comida nas casas, mesmo sabendo que estranhamente, nessa época do ano, as pessoas tendem a ser mais benevolentes. Acredita que o tal espírito natalino realmente pudesse o ajudar, mas não gostava de ser o “pedinte”; preferia procurar comida e contar com a sorte de alguém o ver nessas condições e oferecer algo.
Graça e Letícia tentam aquecer-se cobrindo-se com trapos de pano dentro de casa, um barraco simplório, que ao menos lhes servia para proteger da chuva.
A sorte não estava ao lado de Beto.
*
Pedro está quase gozando, enquanto Angélica cavalga em cima dele.
- É esse peru de natal que você quer, né? Eu fico feliz de comer galinha hoje!
Ela diminui os movimentos e abaixa para beijá-lo. Com um sorriso de canto de boca Pedro cola a boca no pescoço de Angélica, que por um segundo parece gostar, mas em seguida dá um tapa no rosto dele e levanta o torso, aumentando o nível das sentadas.
- Ô filho da puta, quer me marcar hoje, tá maluco?
Pedro ri, com as mãos firmes nas ancas de Angélica.
- Tá na hora de cair de boca no espumante...
Pedro tira o corpo de Angélica de cima do seu e se levanta. Angélica parece incomodada e caminha para longe dele:
- Que broxante, goza na mão, goza no chão, mas eu que não vou engolir porra de quem fica fazendo essas piadas de Ary Toledo.
Angélica sai correndo e se tranca no banheiro, virando apenas para ver a cara de desespero de Pedro, com o pau na mão.
*
Guilherme e Renato estão sentados na sala, de castigo. O avô Fausto assiste ao jornal na TV. As crianças tentam roubar o controle remoto do avô, que reclama:
- Calma, jovem. Depois do jornal eu dou esta merda pra vocês, só não quero que me encham o saco enquanto eu estiver... aí, já tá acabando. Tá aqui, ó, pega... Filho, que horas que a gente vai comer?
- Só estamos esperando o Pedro e a Angélica, pai. A Angélica ia passar na casa da prima antes, e o Pedro, só Deus sabe... tem que ver se não foi preso por aí... – Jorge respondeu, já pegando o celular para ligar para Angélica.
Dona Noêmia rebateu:
- Mas só fala merda esse garoto. Jorge, para de pinima com seu irmão...
Jorge não conseguiu falar com Angélica, pois o celular estava desligado ou fora da área...
- Mãe, vou dar um pulo ali para pegar a Angélica.
Jorge saiu após fazer o anúncio.
*
Beto estava cansado e com fome. Fome daquelas que você não sabe o que é, já que para dar para Graça e Letícia, acabou comendo quase nada nos dois últimos dias. Já estava ficando um pouco tonto, e resolveu tocar a campainha de uma casa, aceitando a derrota.
Tocou a campainha. Pelo portão vazado, dava para ver luzes na casa, dava para ouvir o som. Percebeu também quando, ao tocar pela segunda vez a campainha, as pessoas pareceram falar mais baixo, algumas luzes se apagaram, uma fresta da janela se abriu e cabeças apareceram empilhadas, uma em cima da outra, parecendo querer olhar quem tocava a campainha; percebeu quando mais luzes se apagaram, e até o som foi desligado enquanto ele ainda estava parado em frente ao portão. Percebeu que não era bem-vindo ali, que não queriam ninguém pedindo algo. Decidiu voltar aos sacos de lixo.
*

Pedro está dirigindo e olha descaradamente para as pernas de Angélica, que está usando um vestido curtíssimo que do modo como está sentada, deixa aparecer a calcinha de renda vermelha (e os pelos pubianos ruivos que escapam pela renda).
-Para de me olhar com essa cara de tarado...
Pedro sorri e bota a mão direita no meio das pernas de Angélica, pressionando com o dedo médio o centro da calcinha. Angélica faz uma cara de prazer, e Pedro se divide entre dirigir e movimentar o dedo. Angélica abre um pouco mais as pernas e Pedro com um movimento digital enrola a calcinha no dedo médio e tenta puxar a calcinha de Angélica.
- Para, Pedro, olha a palhaçada... A gente já está chegando.
- Hum, é só chegar na ceia de Natal que você vira santinha, é?
Pedro faz mais força para puxar a calcinha, ao mesmo tempo que vai parando o carro em frente ao portão da casa de sua mãe. Angélica fecha as pernas e segura o braço direito de Pedro com uma das mãos. Com a outra, ela abre a porta.
- Parou a brincadeira. Já fez o que queria, não é?
Pedro sorri, olhando fixamente para o meio das pernas de Angélica, onde ainda trava uma luta para tirar a calcinha dela. Ouve um som de Angélica batendo a cabeça, provavelmente na saída do carro, o que a faz abrir subitamente as pernas e desmontar como que desmaiada para fora do carro, e no que tenta acompanhar a queda da amante, percebe um par de pernas do lado de fora do carro.
- Que isso, a brincadeira está só começando, seu filho da puta!
E com um cabo de enxada, Jorge acerta o meio da testa do irmão, que desmaia no carro.
*
Beto desistiu de pedir, desistiu de catar lixo (provavelmente, só amanhã as sobras das ceias estarão à disposição dele e dos urubus), e estava voltando para casa. No entanto, o espírito natalino tem dessas coisas, ao passar por uma rua escura, enxergou um ponto iluminado, onde um saco preto refletia uma luz acobreada, uma mistura de cores que ficou realmente lindo, e o vento que batia no saco, fazia-o tremular, e a luz movia-se, em um movimento belo que enchia os olhos de Beto de emoção.
Ele decidiu que esse seria o último saco a ser visto. Sim, tinha esperança, talvez ele pudesse levar algo para comerem em casa, mesmo que fosse pouco. Aproximou-se do saco de lixo, abriu-o lentamente, e percebeu que era pesado. Ao abrir por completo e trazer o interior do saco à luz alaranjada, percebeu que havia fartura: carne, diversos pedaços! Beto chorou. Cheirou para ver se estava muito podre, embora soubesse que mesmo podre, serviria para ao menos matar a fome de Graça e Letícia, e dele também. Pois nem podre estava, podia sentir o cheiro: fresquinha! As lágrimas escorriam por seu rosto, ele não conseguia conter-se: certamente um presente do céu! Agradecia mentalmente, não sabia se ao espírito de natal, ao açougueiro que havia colocado aquilo ali, ou à entidade a quem era enviado o despacho: agradecia a todos! Fechou a sacola e partiu para casa, agora revigorado, feliz, forte. Nada mais o incomodava.
Beto conseguiu a ceia de Natal da família!
*
Dona Noêmia, Fausto, Noeli, Guilherme, Renato e Elisa continuam esperando Pedro, o marido de Elisa, e Angélica, a esposa de Jorge. E Jorge está lavando uma enxada, sem pressa alguma.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A volta triunfante de Cavernoso (agora tio e semicalvo)

Blog! Que bom estar de volta, mas paremos com esse papo e partamos para o que interessa (ou não). Muita coisa na cabeça, pouco espaço para escrever, muito tempo disponível (porra nenhuma).

Estavam os dois sentados, em um desses locais os quais dizem ser lindos, cartões-postais do mundo, mas ao qual ele não dava a mínima atenção. Não que desgostasse por completo, seu desgosto por esses locais devia-se apenas à chatice das pessoas em insistir na beleza daquele lago, daquele morro... tudo muito normal para ele, não merecendo assim os numerosos elogios que fazem questão de fazer. Mas isso não diz nada sobre a história. Passemos a ela. Ela, ainda não completamente transformada como ele, ainda via uma beleza naquela cena toda (mesmo que não a visse, tentava ver, pois diziam que havia). Ele ainda tentaria muito tirá-la desse meio.
Os dois conversavam sobre coisas desinteressantes, como apenas os que se amam e os amigos podem fazer sem que haja uma saturação, e assim ele suportava aquele arzinho medíocre de ambiente saudável ao seu redor, com pessoas usando fantasias de ginástica. Na verdade, ele não sabia o que era mais engraçado, se as fantasias de ginástica coladas nas pessoas que estavam sentadas, tão sedentárias quanto eles, ou se os assuntos totalmente perdidos e sem sentido algum, mas que conseguia prendê-lo com um interesse vindo não sabe-se de onde, mas que o divertia o suficiente para esquecer problemas de adultos em uma cabeça juvenil.
A noite cai, e embora ele estivesse no tal cartão-postal, não observava a lua, e sim o vazio do local e os peitos dela. Incrível como a escassez de pessoas já o fazia pensar em sexo. Não que não pensasse com pessoas ao redor, e não que não olhasse para os peitos dela no meio da multidão, mas não havia aquela olhada que já preparava para a mordiscada. Dois segundos e o primeiro ataque ocorre. Ela não tinha como negar, caso negasse, apelaria para o fundo romântico, embora de romantismo apenas o lado sombrio da segunda geração o interessasse. Já se conheciam, e como ele imaginava, de fato, ela não negou. Pelo contrário (embora com a nova gramática portuguesa, essa frase possa soar como um pelo de braço ou de sobrancelha ou mesmo de boceta com a raiz para fora e o final do pelo para dentro, estando assim ao contrário, é apenas o por+em ao contrário, e nem é ao contrário, porque o contrário de negar é permitir, e nem se trata disso aqui), ela não só afoga-lhe o rosto em seus seios (fale isso rápido: seus seios, seus seios, seus seios; é engraçado) como mete a mão em sua bermuda e puxa o zíper.
Tudo ficando quente, não havia o porquê parar. Alternando-se a vigilância para ver se alguém passava, as línguas brincavam, cada um com seu outro corpo, quase seus próprios, na verdade, enfim, uma dessas coisas que você escreve, entende, mas não consegue fazer com que os outros entendam. Mas a lua que se foda, a árvore de natal também. Partem para o agreste.
Ele conseguia ficar mais feliz e mais excitado enquanto saía daquela paisagem, até porque a melhor vista que teve do passeio foram os peitos dela (pois infelizmente a calça não dava a visibilidade que uma saia dá), que continuaram sendo alvos de olhares furtivos (ou nem tanto) e dedos e mãos nervosas em esbarrar ou apertar ou resvalar ou roçar, ou foda-se, você escolhe o verbo. Chegando em casa, latejante, não deu bom dia, boa noite ou a merda que fosse! Ofereceu uma água a ela (ou nem isso) e trancou-se no inferno (que aqui é dito com um sentido positivo, e como no "Balconista 2", vou mudar o sentido) com ela.
Agora não havia mais restrições, a não ser as espaciais, pois encontravam-se em um quarto (sim, inferno era apenas apelido). Ele, com todo o ímpeto que havia segurado durante o passeio inteiro, parte para cima da fêmea, animalescamente: chupa, morde, beija e vai tirando a camisa dela. Tira a sua, solta o cabelo; agora ele pode ser um leão ou uma garota-propaganda da Garnier, se bem que o cabelo está demasiado seco para garota-propaganda. Parte para cima, agarra no pescoço, com a ferocidade e a suavidade de um leão que pega seus filhotes pelo pescoço e taca para um outro lugar, ou quase isso. Agora o tabu! Puta merda, a calça havia evitado que ele tocasse o tesourinho, a periquita, a gruta, caverninha, buceta, xana, xota, xereca... não, xereca não. Foda-se! Ele tira a calça dela com vontade, de uma vez só, arrancando junto a calcinha e já cai com a boca beijando seus lábios. Pela primeira vez ele nota um misto de satisfação e frustração, uma dessas coisas sutis que quando passamos muito tempo juntos passa a ser quase um grito. E com meio rosto aparecendo, pergunta:
"Que que foi? Tá ruim?"
"Não... é que a minha calcinha é nova... você nem viu..."- ela responde rapidamente, mas sem parar a involuntária corrente vaginal.
Ele sorri, embora ela não tenha visto o seu sorriso, abrindo aquela covinha na bochecha, e responde, prontamente:
"Quem gosta de calcinha é o Wando. Eu gosto é de buceta!"
E meio rindo, volta a exercitar seu músculo sensorial gustativo. Sexo engraçado, nunca imaginou fazer isso sem quebrar um clima. Afinal, se o objetivo é gozar, fazia parte, forma par. Ela riu também e relaxou, mais tranqüila com a neura da calcinha nova.
Era engraçado também como ele pensava em "roquenrou" (era o que diziam quando o viam, aquelas zoações que não têm tanta graça, mas tem uma inocência engraçada no fundo) até quando estava nessa posição. Pensava as linguadas como palhetadas em uma guitarra, e gostava de variar em uma palhetada lenta e marcante, como em "Sweet Child o' Mine", e depois passar para um solo de Slayer... tá, solo de Slayer é forçar a barra, mas ele imaginava que fazia na velocidade, embora chegasse a um ACDC talvez.
Morcegos passaram voando, baratas podem tê-los vistos deitados toscamente, mosquitos zumbiram em seus ouvidos, e muita coisa rolou. Mas o importante é que o Banco Real dá 10 dias sem juros no cheque especial para você pagar. Vá lá, encha o rabo no natal e pague durante o ano, ou os ânus, se for em mais de doze vezes!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Fluidos Corporais

Fluidos corporais

Eu não ligo pra batom
não gosto de perfume
nem de hidratante
odeio lubrificante
e espero que não use
neutralizador de odores.

Porque eu gosto do natural.
Eu quero a saliva,
sentir o suor,
a baba da buceta,
o sangue estragado,
o gosto da lágrima
que parece com meleca
(todo mundo sabe,
todo mundo já provou).

Eu gosto disso,
dos fluidos corporais.
De provar o proibido,
o comum que rareou.
Eu não gosto das pessoas produzidas.
Eu curto fluidos corporais.
Fluidos
cor...po...rais...

Infernum Samambaiis 20/06/2008