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domingo, 17 de março de 2019

Sobre ter filho

Ter filho é como estar em uma festa muito louca.
De outra forma, como estaria eu cagando, usando um chapéu de Papai Noel, em pleno março?
Ou dando pulos gritando "Pula, pula, pipoquinha"?
É só o amor que diferencia um filho de um selo de LSD.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Bumbum

— Oi.
— Pode entrar, senta… Tem o cartão?
Entrego o papelzinho. Silêncio constrangedor, e o cara de costas pra mim, no computador. A sala minúscula, no final do estabelecimento, traz uma tensão natural.
— Olha, eu nunca fiz isso, e tô nervoso…
— Ha Ha Ha! Lógico que fez! Em algum momento da vida, você já levou; pode até não lembrar, mas já tomou sim.
— Se eu não lembro, eu não fiz…
— Bobeira. Um homem desse tamanho.
Coço a barba. Está pequena demais para me entreter por muito tempo. Eu não devia ter raspado em janeiro. Fiquei um tempo com aquele queixinho de Noel Rosa.
— Tá. Olha, eu realmente tenho pavor disso, e me deixa triste ter que pagar por isso. É questão de necessidade, mesmo.
— Estou terminando aqui de te cadastrar. Burocracias. Mas não precisa ficar nervoso. Eu estou acostumado a fazer isso. Não vai doer…
— É o psicólogico… Eu sei que não vai doer, quer dizer, espero que não. Mas só de olhar, eu já fico com a boca seca.
— Então não olha – ele ri. Sério, relaxa… Ficar nervoso é pior.
Ele abre o pacote com um rasgo e prepara tudo. Suas costas não me deixam ver o que faz com as mãos. Uma gota de suor escorre pela testa, cai na pontinha da sobrancelha e eu torço para os pelos absorverem o líquido.
— Olha, o volume nem é tão grande. Dava pra resolver no braço. Mas normas são normas: tem que ser no glúteo.
Faz uma pausa e depois continua, sádico:
— Quando eu estava na faculdade, tomei uma que me deixou mancando o resto da semana toda. E eu tive que tomar três numa semana só. E violenta.
O suor escorre pela maçã do rosto. Passo o dedo antes que faça a curva e entre na minha boca. Na ausência de fala minha, ele sustenta o monólogo:
— Você só precisa tomar uma. E, modéstia à parte, eu sou um ótimo profissional. 
— Tá, mas… Como vai ser?
— Vira de costas e abaixa um pouco a bermuda.
— Tá, mas… Que posição? – eu sentia-me sem controle algum da situação; apenas aceitava as ordens.
— Só fica de costas, em pé. Se quiser, apoia o braço na parede.
Que ridículo. Abaixo a bermuda apenas o suficiente para a execução.
— Ah, tem bastante gordura nesse glúteo. Nem vai doer.
Filho da puta! Me chamou de bunda gorda!
Fsss. Fssss. Barulho de algo gelatinoso sendo espirrado.
— Que isso?
— Álcool. Vou passar aqui, e se tem nervoso, não olha que já vai entrar.
Fecho os lábios. O nervosismo vem junto com a necessidade de relaxar para que não haja dores. Que confusão mental. Aperto meus dedos para relaxar o glúteo. A picada vem e permanece por uns vinte segundos, durante os quais penso em coisas legais, músicas, qualquer coisa para não pensar naquilo e acabar logo.
Sinto a retirada, seguida de uma pressão e algo colando em minha pele.
— Doeu?
— Não – respondo, levantando a bermuda. Mas eu sabia que não ia doer, é só o nervosismo…
— Pronto. Deixa esse algodão aí um pouquinho, mas já pode ir. Hoje você não vai sentir nada, mas daqui a dois dias você estará melhor.
— OK.
— E tem que perder esse medo de injeção, hein. Já tá bem grandinho…

E assim eu saio, puto da vida por ter pago R$ 20, fora o remédio, para tomar injeção na bunda e ainda ser chamado de glúteo gordo. Mas é a vida de velho. A coluna fica fodida e você prefere passar por cima de seu medo de agulha do que ficar travado.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Resultados da Copa do Mundo

Poucos resultados me interessam... Mas ano passado um resultado de jogo entre países mudou minha vida.

Peru x República Tcheca.

Campo molhado, Peru deslizou e entrou com bola e tudo.
Tô indo, porque o resultado mais lindo do mundo tá chorando aqui, tá na hora do papá...

sábado, 12 de maio de 2018

O celular do ladrão

Rio de Janeiro, Saara, sexta-feira anterior ao dia das mães.
Essa porra tá cheia, acabei me atrasando pra uma reunião. Ando rápido, quase correndo, para que o atraso seja menos sentido.
Passando pela rua dos Andradas, tenho a idéia: vou cortar caminho pelo largo de São Francisco, porque a Uruguaiana tá cheia de gente caminhando e travando a rua, procurando um presente para as mamães. Beleza, boa idéia a minha.
Caminho, com pressa, e no espaço escuro da praça, uma pessoa caminha ao meu lado. Menos mal, duas pessoas caminhando juntas podem afastar possíveis assaltos. O pensamento é esse, isso é Rio de Janeiro. Mas talvez esse meu pensamento tenha sido ingênuo demais. O rapaz ao meu lado puxou papo:
- Aê, playboy!
Ignorei, já que não me considero playboy e não sou obrigado a agüentar desconhecidos me chamando de playboy.
- Perdeu, playboy. Passa o celular, porra!
Puta que pariu. Foi uma falha de comunicação da minha parte. O cara não tava procurando refúgio de assalto; ele era o meio. E eu entendi a mensagem. Parei e virei para encará-lo.
- Pô, cara, faz isso não. Tô cheio de pressa e só tenho esse celular pra falar com os outros, pô.
Ele moveu uma mão na altura da cintura, por dentro da camisa. Não dava para ver nada, e ele podia estar tanto com uma arma de verdade quanto com uma daquelas galinhas de borracha que fazem um barulho engraçado, que eu não ia saber. Sou cego a noite, numa praça mal iluminada, então...
- Meu irmão, tá maluco? Quer morrer, porra???
Levantei instintivamente as mãos, me rendendo, e botei em seguida a mão esquerda no bolso para pegar o celular. Lá estava a carteira, e nem é importante, mas contarei assim mesmo. Eu costumo levar a carteira no bolso direito da bermuda (ou calça), e o celular no bolso esquerdo, mas a minha bermuda estava com o bolso esquerdo furado, um furo tão grande que se eu boto o celular lá, ele cai.
Após essa explicação esdrúxula, tateei o bolso esquerdo, vi que lá estava a carteira, e passei para o bolso direito, onde estava o celular. Entre a mão ir de um bolso a outro, lembrei do bolso furado e soltei um "ahh...", lembrando-me do bolso trocado do aparelho.
Ao pegar o celular, entreguei e fiquei no vácuo: o cara não pegou.
- Tomá no cu, mermão! Tá pensando que é malandro, seu filha da puta!
Não entendi. Nem a reação do ladrão e nem essa mania de a gente falar "filha da puta", mesmo pra homens, quando deveria ser "filho da puta". Não expus a minha última questã.
- Que foi, cara? Toma o celular!
Ele balançou ainda mais o braço que estava com algo na cintura, ameaçando.
- Eu quero o SEU celular!
Ele deu uma intensidade tão grande no "seu", que pareceu me chamar de ladrão, como se aquele aparelho não fosse o meu.
- Esse é o meu celular, cara!
Tomei um empurrão.
- Tá de sacanagem? Quer me dar o celular "do ladrão"???
Tela azul. Eu era o assaltado. Na minha mente, ele era o ladrão. O que seria o "celular do ladrão"? Seria o dele. O meu quando eu passasse para ele, seria dele. Tentei entender a piada.
Não consegui.
- Ué, o ladrão é você. Esse celular é meu. Depois vai ser seu. Do ladrão. Não é?
Ele agarrou meu pescoço. Era um pouco mais alto do que eu. Falou baixinho.
- Playboy, aqui tá tudo escuro, ninguém tá vendo nada. Um monte de parceiro meu aqui. Se você tentar fazer graça, vai ficar por aqui mesmo. E só vão te achar amanhã de manhã. Para de graça, enfia essa porra de celular do ladrão no teu cu e me passa o celular que você realmente usa.
CARALHO! O "celular do ladrão" é o aparelho zoadaço que o pessoal carrega só para, no caso de ser assaltado, não perder o oficial, entregando o outro. Um tipo de bode expiatório, mas sem fazer béeeee. Aliás, pode até fazer béeee, você pode personalizar o toque, né?
O cara achou que meu aquele telefone era zoado demais para ser meu. Não entendi o porquê. Insisti.
- Cara, esse é o meu celular, o que eu uso! Pode ver aqui, tem bom dia que eu recebi hoje, no whatsapp!
Tentei lembrar de quem me manda mensagem de bom dia. Meu pai, certamente, no grupo da família, mas a essa hora já devia estar cheio de papos nada a ver, e não queria expor. Abri o de um amigo, que sempre manda de zoeira. Os olhos do assaltante estavam vidrados no celular. Quando abri a conversa com o amigo, memes do Fabio Assunção dizendo que hoje era sexta-feira, fizeram o maluco cuspir minha tela, já fodida.
- Hahahaha. Poorra! Hoje é dia de pó legal, né? Caralho, tu usa essa porra mermo, mané! Hahahaha puta que pariu...
Ele distanciou-se um pouco, rindo. Voltou pra perto de mim.
- Guarda essa porra, guarda essa porra... Aí, playboy, vou te falar duas paradas...
Eu já estava meio rindo, aquele riso meio nervoso, mas rindo. Falei mais para quebrar o monólogo dele, pra fingir que estava interagindo.
- Coé, cara...
Ele continuou.
- Uma, que se eu tô com uma arma aqui, você morria...
E tirou finalmente a mão que estava sempre na cintura, e mostrou uma latinha de Antarctica de 269ml, toda amassada. Essa era a arma dele.
- E a outra... é que se eu tivesse metido uns celulares hoje, eu ia te dar um. Puta que pariu, tu é muito escroto andando com essa porra...
Ele se afastou definitivamente, rindo pra caralho, e eu segui meu caminho para a reunião.
Cheguei atrasado, mas contei o ocorrido e ninguém lembrou mais do atraso.
O Rio de Janeiro me surpreende a cada dia.



quinta-feira, 8 de março de 2018

A carona

O carioca é foda.
Eu tô no onibus, perto da porta dos fundos.
Um maluco entrou aqui por trás, camisa branca de botão e calça azul.
Eu, o motorista e você pensamos: ou é motorista ou cobrador.
Beleza.
O tempo passa, o tempo voa, e o maluco continua do meu lado, perto da porta de saída.
Aí, chegando no campinho, alguém falou "BRT". Por algum motivo, minha mente fez eu olhar pro cordão do crachá (certamente um crachá de motorista - pensei) pendurado no pescoço do cara.
Olhei e li: Panco. Com uma carinha sorridente desenhada ao lado e tudo.
Cordão azul, Panco e o rostinho em branco.
Olhei pra cara dele, olhei pro cordão de novo.
Realmente. Panco.
O cara desceu no campinho mesmo. O motorista abriu a porta no sinal, fora do ponto, camaradagem entre os da mesma profissão, pois deixa mais próximo do BRT, só atravessar a rua.
Mas ele não atravessou a rua.
Ali onde ele desceu, no sinal, tem um Prezunic. Ele entrou no Prezunic.
Rio de Janeiro, onde representante de marca de pão dá calote no busão se aproveitando da semelhança de seu uniforme com as roupas de motorista / cobrador.
Definitivamente, isso aqui não é para amadores.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Hit Combo

Referente ao dia 5 de janeiro de 2018, um dia que ficará marcado em minha vida.

Qual o maior "Hit Combo" que você lembra?
Pensou em Street Fighter? Tekken? The King Of Fighters? Marvel vs Capcom?
"Fabiano, eu um dia apelei com aquela velhinha no flipper e dei 52 hit combo!"
Esquece.
É sobre bebês mas começa parecendo Mr Catra.
3:30 da madrugada, "hora da mamada".
E você sabe, não se nega uma "mamada" a ning... Digo, a um neném.
Beleza, a mãe dá o mamá, e pra ser justo, eu boto pra arrotar.
Já são 3:55, já arrotou, já ficou o tempinho pra fazer uma digestão... Mas na hora de botar na caminha, hmmm... Esse pesinho, esse cheirinho... Tá cagado. Vou trocar, tranqüilo.
Tirei a fralda, passei o lencinho umedecido, e é aí que começa o MAIOR HIT COMBO da história (e com tentativas de defesa inúteis):
Edgar começa a mijar, tento botar o lenço para bloquear, ele mija no trocador, começa a cagar no trocador, golfa, caga no meu dedo quando eu já tava passando a pomada, mete a mão na merda (nesse ponto acordei a mãe, minha dupla contra esse apelão), mija no trocador de novo e na própria roupa, caga na fralda nova ainda aberta, golfa de novo, caga no trocador de novo, encosta as costas na merda.
Acho que foi isso. E tudo numa serenidade incrível, enquanto eu estava em total desespero. Foi um Perfect; Flawless Victory.
É, essa foi a madrugada de hoje. Edgar veio com tudo.
E agora ele fica me olhando de rabo de olho, com um meio sorriso de vez em quando, como se me desafiasse "consegue sozinho ou vai chamar a mamãe?".
Tô já me preparando pra hoje como nunca me preparei pra flipper nenhum...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Maturidade Paterna

A paternidade muda muita coisa na sua vida:
Muda sua opinião sobre fotos de bebês;
Muda seu tempo cotidiano, fazendo brotar algumas horas pra ficar olhando praquele joelhinho lindo;
Muda a sua incompetência nata, e agora você troca fralda, esteriliza coisas no fogão...

Mas certas coisas a paternidade não muda, como aquele sorriso preso no canto da boca cada vez que alguém fala "tá na hora da", "antes da", "depois da" ou qualquer outro termo seguido da palavra MAMADA.
Parem, por favor! Não tenho maturidade pra isso!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Fios de Ovos

Uma mulher está no mercado com um homem (provavelmente seu companheiro), e vê um pote de fios de ovos. A gula, elevada à terceira potência por estar grávida, a faz parar em frente à geladeira expositora e dizer, olhando fixamente para o doce:
- Nooooooooossa!!! Eu A-MO fios de ovos!!!
Voltando ao normal, olha para o rapaz.
- Você não gosta, né?
Ele olhou pra ela, começou a andar e soltou:
- Pentelho de buceta, de buenas; mas fios de ovos não é comigo, não...
E saiu andando, rindo.

#TeamPavêOuPacumê?

domingo, 26 de novembro de 2017

Mistérios cotidianos

Merda, merda, merda. Onde está o pacote de morangos que deixei no congelador? Não entendo como posso perder algo em um espaço tão pequeno, mas ok. Tem muita coisa. Moela de frango, sorvete, açaí, salsinha congelada... alho poró? Tenho que usar isso logo... Se bem que congelado é eterno.
Para facilitar meu trabalho, tiro alguns itens e os coloco sobre a pia. Tenho nervoso de deixar congelador aberto, sempre me disseram que puxa muita luz, e atualmente tenho mais medo de conta alta do que de bala perdida (e olha que moro no Rio de Janeiro).
Achei o potinho. Tem seis morangos, dá pra fazer uma vitamina.
Só preciso de uma explicação: como é que antes de eu tirar o pote de morango, tudo cabia no congelador, e agora tenho esse pacote de moela de frango que não tem, de jeito nenhum, como entrar novamente?
Mistérios do cotidiano. Além da vitamina de morango, terei que fazer moela de frango.
Bom dia.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Memórias

Tô no 624. Um casal de coroas senta atrás de mim. Tô lendo O Beijo da Mulher-Aranha, mas a mulher fala alto, tá me atrapalhando. A conversa deles fica mais forte que o livro, e o fecho por um tempo. Papos de velho rolando, aquelas coisas sem grandeza, comentários simples, combinando até com o trânsito lento da Intendente Magalhães... Eis que a coroa, toda sapeca:
- Já estivemos aqui. Lembra?
O velho coça a cabeça, olha pra direita (eu não vi, já que estavam atrás de mim, mas imagino que foi assim). Franze a sobrancelha numa quase negativa.
- Olha pro outro lado... - diz a velha, calmamente.
O cara olha. Tem uns carros e três motéis, em seqüência. Eu já saquei, mas o velho não.
- Você estudou numa escola aqui?
Quase me viro e faço uns gestos tipo o Jim Carrey no O Mentiroso, mas seguro e confio. A coroa dá mais dica, e fala numa voz insinuante:
- Nós almoçamos em um restaurante aqui perto, um dia... Lembra?
- Restaurante??
Cara, alguém taca óleo na memória desse cara... Tá foda.
O coroa tava pensando ainda em restaurante quando, penso (e visualizo mentalmente), a coroa arqueia as sobrancelhas, fecha bem a boca e arregala os olhos, quase apontando com a cabeça para os motéis que passaram à sua esquerda. Aí o coroa captou.
- Aaaaaaahhhhhhhn... HEHEHE
E deve ter coçado o bigode, confiante; o mesmo bigode que, sabe-se lá há quanto tempo, guardou resquícios de odores selvagens. E sorri.
Ela agarra o braço dele e bota a cabeça em seu ombro, enquanto ele continua com seu sorrisão, com o olhar perdido naquele tempo que passou.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ida ao Posto de Saúde

Vou eu ao posto de saúde acompanhar a Luciana, vacina pra caralho pra tomar, essas paradas. Vou de pijama, óbvio, porque se eu levanto antes das 9 e não é para ir ao trabalho, vou com a roupa que eu dormi (que nem é um pijama oficialmente dizendo, é só roupa velha).
Chegando ao posto, com aquela cara e a roupa de ontem, caminhamos direto ao lugar das vacinas, ou seja, passamos direto pela recepção. Nisso, uma coroa com roupinha de enfermeira (aquele jaleco branco, ô tarado; nenhuma enfermeira usa microssaia e chapeuzinho com cruz vermelha, só em filme pornô...) vem gritando:
- Ei, ei! Rapaz!
Não olhei, segui meu caminho, afinal de contas, nem sou eu que vou tomar a porra da vacina... Nada é comigo ali...
Ela veio e me segurou calmamente pelo braço.
- Ei, você tem que dizer o que você está sentindo aqui, pra eu te encaminhar pra algum lugar.
Eu olhei pra ela, naquela lentidão de quem deveria estar na cama:
- Eu só vim acompanhar ela, ela vai tomar vacina.
A mulher me olhou de cima a baixo, minhas roupas e minha cara amarrotadas, e mandou, na lata:
- Nossa, mas você está com um aspecto Péssimo (com P maiúsculo mesmo, ela falou com aquele P quase cuspindo)...
Olhei com aquela cara de "caralho... vou responder à altura", mas tava com um sono fodido e nem consegui pensar direito, só me veio "é, a noite foi longa e boa" (mentira, ficamos vendo a final de MAsterchef), aí desisti e só olhei pra cara dela e soltei a máxima filosofia:
- É... a vida é assim...
Segui meu caminho.
Mas caralho, além de ter que ouvir a Luciana reclamando da minha roupa esculachada, agora ela ainda arruma aliadas na rua... Tá foda...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Interrompemos nossa programação...

Interrompendo vossa programação apenas para informar que estava com meu par de meias sujas em uma das mãos e um saco de lixo DE BANHEIRO na outra mão, e senti que seria mais higiênico jogar as meias fora e calçar o saco de lixo...
Triste isso...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Trancado no banheiro

Tô trancado no banheiro.
Pedi pra minha avó fritar um bife a milanesa pra mim. Ela falou "Tem que passar no ovo".
Fui fazer gracinha e simulei que ia passar o bife por dentro da minha bermuda. Devolvi o bife pra ela, rindo.
Ela agora tá aqui, berrando que "quer fazer sacanagem, agora vai comer bife passado nessa merda aê!"
"Essa merda aê" que fez teu bisneto!

Ela não quer nem saber.
=(
True Story.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Como um "bom dia" vira "vai se foder!" em questão de minutos

Acordo. Dou bom dia, tomo o café, me arrumo pra sair. Primeira desilusão: já de calça, sinto vontade de cagar. Só faltava botar o tênis, mas ok, melhor do que se estivesse já calçado.
No banheiro, segunda desilusão: na posição clássica de quem caga de calça, com ela arriada junto à cueca embolada no final das canelas, olho para baixo e vejo algo que me machuca; a etiqueta da minha calça marrom (que todos falam que é verde), tem, além do tamanho - 46 -, escrito VRD - VERDE (assim mesmo, redundante, como se me provocasse). A confirmação do meu daltonismo não me choca, mas a minha calça marrom ser verde e oficializar o que todo mundo diz pra mim, é sacanagem.
Limpo a bunda e parto para o ponto de ônibus. Após a demora usual, vem dois 624; um vazio, na frente, e um lotado atrás. Na frente deles um 783. Tem um filho da puta no ponto, comigo. Se ele fizer sinal pro 783, provavelmente o 624 vazio passará por trás dele e terei que pegar o lotado. Sim, eu já sei o que aconteceu, mas narrarei no tempo futuro, cheio de "se", para manter você nessa tensão escrota de "ui, será que ele foi em pé ou sentado no ônibus?". O 783 faz a curva, seguido na cola pelo 624 vazio, um carro de passeio e o 624 cheio. O filho da puta que tá no ponto comigo se mexe, chega mais próximo do meio fio; se ele fizer sinal ao 783 vou tacar minha mochila na cabeça dele e ele ficará sem entender porra nenhuma. O 783 se aproxima, mas o cara do ponto não faz sinal a ele, foi alarme falso (provavelmente só está de saco cheio da espera); nem vou chamar mais de filho da puta. Faço sinal com dois dedos, com o braço mais pra cima do que pro lado, indicando pro 783 que não é ele (o primeiro da fila que eu quero), mas o segundo, o que vem atrás dele. O 783, subitamente, vem na minha direção, para parar no ponto. Desesperado e sem pensar, porque são sete da manhã e vai tomar no cu que isso não é horário nem prá estar acordando, que dirá pegando ônibus, e eu vejo o 624 vazio pegando o vácuo do 783 pela esquerda - ele vai passar direto!!! -, entro no meio da rua, na frente do 783, e no meio da pista, aceno como um louco para o motorista do ônibus pretendido. Ele fez como aquela garota metida que você era apaixonado na quinta série: olhou em frente, pro nada e te ignorou. Com o coração partido e em meio ao riso dos coleguinhas, digo, buzinadas do 783, volto para a calçada, humilhado, e o 783 parado. Atrás dele, o 624 lotadão. Decido que vou esperar mais, mas não entrarei nesse ônibus.
Eis que o motorista do 783 resolve abrir a porta e "você tá malu...", mas nem deixei completar a frase, porque no que a porta dianteira dele estava abrindo já me armei com "ah vai se foder! Tomar no cu, porra!" Ele me xingou, nem ouvi, joguei o braço direito pro alto várias vezes. Descontei a raiva que estava do motorista do 624 em cima do cara que freou o seu veículo pra não me atropelar. Só estou tendo essa reflexão agora, e tô envergonhado por ter xingado a ele, mas aconteceu.
Cruzei os braços e fiquei com a cara amarrada no ponto. O 624 lotado ainda estava parado atrás do 783; quando o 783 saiu, o 624 (já mencionei que estava lotado, certo?) andou lentamente, e o motorista parou na minha frente, abriu a porta e olhou pra mim, com pena, sem eu ter feito sinal.
Entrei nessa merda; puto, mas entrei.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Academia

Perdi.
Após 31 anos, entrei pela primeira vez em uma academia. Achei que começaria instantaneamente a malhar. Porra nenhuma.
Primeiro porque os aparelhos tudo tem botão, tudo digital, não entendi.
Segundo porque antes de começar, eu tenho que falar com um instrutor que, de acordo com os seus objetivos ("não engordar feito um porco, mesmo comendo bacon e queijo feito um ianque"), vai te passar a sua série.
"Caralho, tomar no cu! Eu tô pagando essa porra eu vou fazer o que eu quiser e foda-se!", pensei. Olhei pra um que simula remo, um que simula esqui meio que pedalando e um que simula escada. Pensei: vou fazer uma hora de um num dia, uma hora de um no outro... E fui atendido.
O maluco me passa 20 minutos (dez minutos em dois aparelhos desses) no início, e 20 (no mesmo esquema dez de cada) no final. E no meio, séries de levantamento de peso (mesmo eu não colocando "ficar forte" no objetivo, o cara quer que eu puxe peso). Como não sou burro de carga e não nasci pra me mandarem fazer porra nenhuma, taquei o foda-se pro que o cara falou.
Vou fazer meia hora desse esqui flutuante aqui - chamam de transfer, mas transfer é meu piru.
Botei os fones no ouvindo, botei um set death/ grind e apertei play.
Subi no aparelho, tentei ligar. Nada. A mulher do meu lado tentou falar comigo, mas tava rolando uma brutalidade no meu ouvido (porque som de academia, puta que pariu...). Tirei o fone. A mulher me ajudou a ligar o aparelho. Voltei com os fones de ouvido. Minhas pernas começaram a se mover instantaneamente, e a mulher novamente falou comigo. Tirei os fones de novo.
- Tem que pedalar prá frente! - ela gritou.
Eu percebi que eu tava andando prá trás. Agradeci de novo e corrigi o passo. Programei dez minutos, mas já pensando em fazer trinta. O nível tava 1, olhei pros lados: um cara no 8 e a mulher no 4. Fui no 5.
Meu amigo! Não terminou uma música do Brujeria de menos de um minuto e eu já tava "chega logo, dez minutos, caralho!". Mal conseguia respirar.
Caralho. Diminui o nível pra 4. Rolaram umas 78 músicas, mas não dava 10 minutos.
Depois do fim do mundo, deu dez minutos, no meio do Sessão Descarrego, do Hutt. Minhas pernas tremiam. Eu encarava meu "vou fazer uma hora". Haha, coitado.
Perdi 80 calorias, dizia o instrumento high tech. Perdi vida, dizia meu cérebro.
Não sei o que será de mim daqui pra frente. Estou pagando essa merda, logo, preciso ir. Mas meu coração (e minhas pernas) diz(em) que é errado.
Enfim. Amanhã é outro dia, frio, difícil de criar vontade de fazer atividade.
Felizmente tenho uma edição para usar como desculpa.
E assim seguirei, buscando desculpas.
Puta que pariu.

Ahhh mas tem uma cadeira de massagem no final foda. A única coisa que presta...
Foi um erro.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Lei da Física

Hoje finalmente entendi, na prática, uma teoria da física.
Estava eu em casa, com uma puta duma vontade de fazer comida boa: usar cebola, três tipos de queijo, salame, ovo, fazer um molho... Enfim, estava com vontade 1000 de fazer comida boa.
Ao mesmo tempo, estava com nenhuma vontade de lavar panela. Duas panelas já na pia há uma semana, uma semana que não tenho vontade de lavar panela, só lavando talheres, pratos, copos... Enfim, vontade -1000 de lavar panela.
E duas forças, de igual intensidade mas opostas, se anulam!
E foi assim que comi bife de fígado gelado e resto de sopa. Acho que isso se chama inércia, mas nunca fui bom em física...

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Memória de 27/6/2016 , alguns dias antes de casar, enquanto estava morando sozinho. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Gotas

Não importa se a rotina é lasciva ou tediosa. Ela sempre acaba instaurando-se na vida do casal. Esse modelo "casa / trabalho / casa" em que se vive é um grande parceiro dela. Começa agora uma história corriqueira, dessas que acontecem em diversas casas no Brasil e no mundo; mas contada através de pequenas gotas.


Gotas de Saliva

O último que chega em casa dá um beijo, conversam sobre o dia no trabalho ( problemas e situações estressantes que não levam nenhum assunto a um final feliz). Entre afazeres domésticos, gasta-se saliva falando do que não foi legal; vez ou outra surge a lembrança de algo inusitado, engraçado, e há um vigor maior para contar esses acontecimentos. No mais, o tom é sempre morno ou exaltado para o negativo.
De alguma forma, nesse ambiente sombrio, uma mudança súbita no ar, ou um cheirinho de tempero que pegou o vento certo, ou um som que surge do nada, uma música, qualquer elemento que traz à tona a paixão entre os dois, sem explicação, faz mãos deslizarem e os corpos encaixam-se, com certo pudor, entre si. Pescoços se roçam, a barriga dele encosta na sinuosidade das costas dela, e a saliva, antes gasta com a fala, passa a ter outro valor no silêncio, e é trocada entre línguas famintas.

Gotas de Lubrificação


As mãos mexiam-se em um movimento menos frenético do que as línguas, mas não com menos sensibilidade e uma coordenação digna de um balé russo: uma delas penetra por baixo da blusa, na barriga, e sobe até o mamilo dela; no movimento oposto, a mão dela desce, por cima da camisa dele, e entra na calça, segurando a base do pau dele com a mão para baixo; a outra mão dele já vai tentando chegar à calcinha, para desviá-la do caminho, e todos esses movimentos que o corpo naturalmente segue, sem muito raciocínio, evidenciando o instinto animal do ser humano.
A saliva continua sendo gasta, mas espalhando-se ao longo dos corpos. Nucas, mamilos, pernas, pau, buceta, cu. Ela mistura-se com os fluidos lubrificantes naturais; a boca dele agora recebe um pouco da baba salgada da sagrada caverna; ela puxa um fio de gosma de uns 15 centímetros, que estende-se de sua língua ao pau dele. Impossível discernir, nesses fluidos, o que é lubrificação dos órgãos genitais e o que é saliva. Mas é possível ver muita vontade.

Gotas de Suor

A temperatura média do corpo humano varia entre 35,5 e 37º C, mas com os atritos pacíficos entre os corpos parece estar mais de 40 graus. Os dois começam a suar. O gosto salgado do suor mistura-se às respectivas babas genitais, tanto na sua origem quanto nas bocas a que destinaram-se. O sexo afirma-se sempre como prato principal (porque se fosse sobremesa, seria doce).
Embolam-se completamente formando um corpo disforme. Quebram a lei da física, de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço: ela preenche seu amor oco com a vara que oprime tantas vidas há séculos, mas que nesse momento dá vazão aos desejos mais animalescos que há dentro dos dois.
Embora agora estejam mais juntos do que em qualquer momento anterior, com um dentro do outro, não há mais atrito; a lubrificação mútua faz os movimentos deslizarem suaves, mesmo que os dois estejam forçando contato. Está tudo tão molhado que ameniza o impacto, e ele acaba sempre deslizando para o interior.

Gotas de Porra

A constância dos movimentos, o ritmo, o rebolado dela. Aquele invólucro de gosma na pele, que facilita os movimentos e vai aumentando o prazer. Os dedos dele pressionam e escorregam e voltam a pressionar a campânula acima da entrada, enquanto uma parte dele entra e finge sair e entra novamente. Ela ainda agüenta um pouco mais. Ele está explodindo.
Ela mexe de um jeito que enlouquece os dois, evocando talvez dons ancestrais escondidos pelo superego; ela gosta cada vez mais dos esbarrões em toda a sua buceta; ele precisa segurar-se um pouco mais para ela poder transcender. Os movimentos dela estão em progressão geométrica de alternância e pareceu atingir um nível máximo de poder. Ele tentou, mas não dá mais para segurar. Ele sente sua mente indo ao ponto mais extremo do universo, quando tudo fica confuso e escuro, e o caminho até lá começa pela base do seu saco, e vem crescendo junto com a viagem astral, explodindo em um mar de porra dentro do buraco feminino, que coincide com a sua volta ao mundo real.
O movimento dela não para mas ele diminui levemente com as mãos a freqüência dela, e vai diminuindo assim o ritmo de entra e finge que sai e entra de novo. Ela sente a enxurrada que está dentro de si, e agora o movimento mais lento, mas ainda contínuo, vai transformando a porra líquida em pedaços mais gosmentos e mais sólidos. Ele tira um pouco da pressão que seu dedo fazia ao redor do grelo, inconscientemente. Seu corpo está relaxando aos poucos. Ela sente o fim do momento e dá uma sentada derradeira no colo dele, colocando todo o pau para dentro, o máximo que pode, e deixando escorrer os blocos de sêmen solidificados, aos poucos. Voltam a trocar beijos.

Gotas de Água

Para que a porra não respingasse a parte líquida que eventualmente escorresse,  os dois correm, satisfeitos (talvez mais ele do que ela, afinal, alcançou o nirvana animalesco), para o banheiro. Ela entra no box, e começa a lavar-se. Placas de porra escorrem em suas pernas, tornando-se estranhamente uma espécie de gelatina quando entram em contato com a água. Ele para em pé, na pia, bota para fora a cabeça do pau, toda melada, e começa a lavar; gelatina também. Ela enquanto se lava percebe que também está tirando muito da sua baba natural.
Ele entra no chuveiro com ela. Tomam banho juntos e aquelas gotas de água morna os traz de volta à normalidade: nem falar de trabalho, nem transar como animais; olhar o outro como um par que escolheu para viver junto. Não há nada mais humano do que a tentativa de racionalizar o sexo e criar emoções ligadas a isso. Os toques das mãos agora não geram mais tanta lascívia, mas um carinho especial. Uma sensação de estar sendo amado e de ser entendido por alguém no meio de milhões. As gotas de água do chuveiro tiram todo o estresse cotidiano do corpo e o leva para o ralo, enquanto o casal abraça-se debaixo do chuveiro.

Gotas de Iogurte

A rotina continua, mas já tem data para ser quebrada: 1º de abril. Não se trata de uma inversão do dia pela brincadeira do dia da mentira, mas de uma viagem para o Nordeste, com a família dele. Passam-se dias e o instinto vampiresco de ver sangue não é saciado; mas o casal, um pouco desregrado e distraído pelas férias, não presta atenção às regras, literalmente. E assim passam-se semanas.
Voltam para o lar, e a vida a seguir seu ciclo, com a companheira rotina sempre descansando por cima do teto. Mas uma mudança faz a rotina ficar abalada: o café da manhã, sempre preparado por ele, passa a não ser consumido por inteiro. O pão fica pela metade e é levado por ela para comer mais tarde; o iogurte sobra quase metade no copo. Ela alega não estar conseguindo comer tudo, está embrulhada.

Gotas de Mijo

Todo dia o café pela metade. Ele já estava meio de saco cheio, parecia desfeita: acordar às seis e pouca da manhã, horário totalmente inadequado para alguém estar com os olhos abertos, ele fazendo sanduíches com recheios deliciosos, e ela sempre com aquela cara de desgosto ao comer. Desanima, mas ele continuou fazendo.
Ela apareceu gripada, e quando foram ao mercado, ela decidiu passar na farmácia para comprar remédio. Ele foi junto, mas enquanto ela pegava o dinheiro para comprar o antigripal da vida, ele foi e pediu ao farmacêutico um teste de gravidez instantâneo. Ela olhou para ele, estranhando; "ih, você tá curioso...". Ela pagou o remédio, ele pagou o teste e foram embora para casa.
Era véspera do aniversário dele, 11 de maio. Leram com atenção as instruções do teste na mesa da cozinha. Subiram, ela mijou no potinho e ele colocou o palito do teste dentro. Nenhuma tira vermelha significaria resultado inconclusivo. Uma tira significaria que não está grávida. Duas tiras, grávida.
Duas tiras.
- Pô, você podia ter deixado para me dar esse resultado amanhã, como presente! - exclamou ele.
- Mas foi você que fez o exame! - ela devolveu.
Ficaram felizes mas não tinham certeza. Podia ser alguma alteração da urina, e o exame indica "apenas" 99,9% de certeza.

Gotas de Sangue

No dia 12 de maio ficaram quietos, almoçaram com a família dele. O aniversariante morria de vontade de ter certeza, mas não podia falar nada. O dia passou e procuraram saber sobre exame de sangue para confirmar gravidez. O horário de coleta já tinha acabado em todos os laboratórios. O resultado podia sair no mesmo dia no sábado, dia 13, véspera de dia das mães. Tinham que tentar.
Acordaram às 7 horas da manhã no dia seguinte e foram ao laboratório para que ela tirasse sangue. Ela tirou e o resultado ficaria pronto na segunda-feira ou às 19 horas do sábado, se desse. Torceram.
Já tinham marcado com familiares e padrinhos um almoço para comemorar o aniversário dos dois. Fizeram comida para um batalhão e encheram a casa. Comeram e divertiram-se com o pessoal. Às 19 horas ele entrou no site para verificar se o resultado havia saído. Não. Apenas segunda-feira. Acabou a festa, e a euforia junto.

Gotas de Lágrimas

Depois de arrumar um pouco da bagunça, ele resolve checar de novo. Já são quase oito horas da noite.  O resultado saiu:
>25.000 positivo;
<25 .000="" b="" negativo.="">


Resultado: 128.663

A rotina estava quebrada. Conteve-se, pois ainda tinha visita em casa, e queria ter o momento deles. Avisou discretamente a ela. Levaram a última visita em casa. Voltaram no carro conversando normal. A ficha ainda não tinha caído. Voltaram para casa e viram o diagnóstico juntos. Choraram de alegria. Sabiam que a vida ganharia um nível de dificuldade, mas viam que a rotina seria quebrada por um pequeno ser que simbolizava algo especial para eles.Um ser surgido de cuspe, baba de buceta e porra, do que há de mais animal no homem; mas que estranhamente começaria como uma coisa pura e inocente.
Depois que a ficha caiu, as lágrimas de alegria seguiram o mesmo fluxo e não pararam mais de cair. 
E a rotina certamente foi quebrada.

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Nota do autor: foi a PRIMEIRA VIAGEM que fiz com a Luciana em que ela não ficou menstruada durante algum momento. True story.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Vidadulta

A velhice chega. Você pode perceber por conta de uma dor nas costas, uma "dor nas juntas" (essa é inegável), ou muitos outros fatores. Mas provavelmente o primeiro será as suas compras no mercado.
Entrei no mercado para comprar leite e tapioca. Comprei leite, tapioca, detergente, esponja de lavar louça e (pasmem!) amaciante de roupas PORQUE TAVA BARATO (sim, você passa a saber preço de amaciante de roupa!!!).
A vida é triste... Você entende o que é supérfluo quando passa a gastar dinheiro com o essencial e básico.

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OBS: dessa cez aida levei 2 amaciantes, e um saiu de graça, porque o preço tava errado e acionei o "consumidor de olho no preço", do Procon hehehhe. Fuck you, Guanabara!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Tipos de pessoa

Existem dois tipos de pessoa: um que eu me identifico e outro que não. E isso vai ao infinito, e dois tipos é o caralho, sejamos francos: "dois tipos de pessoa: o tipo que chupa buceta com vontade e o que tem nojinho..."; "o que chupa picolé e o que morde o picolé...", etc. Enfim. Vou falar de dois tipos específicos: os que jogam o alimento que caiu no chão fora e os que assopram e utilizam.
Confissão - e sim, se você comeu ou bebeu na minha casa, provavelmente algo deve ter caído no chão, porque "existem dois tipos de pessoa: os que não são estabanados e os que são como eu". Bom, geralmente eu penso que o chão deve estar mais limpo do que os de restaurantes que eu já fui, e às vezes pago caro até por isso, então, não vejo problema, mesmo. Mas certas coisas, até o mais fresco dos frescos devem me dar razão.
Deixei cair um pote de amoras. Sabe, a frutinha roxa gostosa a beça, que geralmente a gente pegava na rua? Pois é, essa merda é cara pra caralho! Comprei um potinho porque tinha tempos que não comia amora (a última vez, parei em frente a uma amoreira carregada, que fugia do quintal onde estava plantada para a calçada da rua; no que colhi as primeiras amoras, um carro sobe a calçada, e a mulher entra na casa, me deixando totalmente sem graça, tipo um Chico Bento roubando frutas do pomar alheio). Um potINHO, bem pequeno: R$ 6,99. É muita vontade de comer amora. E essa merda, quando fui pegar da geladeira, me cai no chão, espalhando todas as amoras, cada amorinha daquele plástico maldito (que abriu-se como uma vagina sedenta de ser devorada) jogadas pelo chão da cozinha. Óbvio que pensei "calma, é só lavar...", mas um outro pensamento me veio, ao mesmo tempo. Algo tranqüilizador, de certa forma; minha memória puxou uma saída recente, a um bar legalzinho, que já até apoiou um curta meu. Eu e Luciana fomos almoçar, ela pediu salgadinhos de petisco; ela queria salgadinhos variados para experimentar, o garçom falou que não podia, pois era pacote fechado com a quantidade certa. Ok. Um bolinho veio refrito. Quantidade certa, meu ovo. Ela fez questão de encrencar. Eu quis comer aquilo refrito mesmo; ela separou e pediu pro garçom trocar. Ele tentou argumentar que não dava, mas ela não mudou uma vírgula da reclamação. Voltou um outro salgadinho, mais bonito, certamente. Ela não comeu, ia pedir para embrulhar para a viagem. Eu sabia que o bolinho tinha sido passado nas axilas e nas partes íntimas de quem fritou. Tomei coragem, respirei... torci pra cozinheira ser mulher: antes um bolinho passado na buceta do que um passado no saco. Comi aquilo. Antes comer um bolinho zoado apenas uma vez, do que saber que o bolinho voltou para a cozinha, com o garçom dizendo: "Aí, a mesa que pediu para voltar o bolinho refrito não comeu esse que você fritou e pediu para botar pra viagem. Embala com carinho, só não deixa pentelho visível, beleza?".
E a amora, nesse chão limpinho, quem vai reclamar? Tem nem cheiro de bunda ali... Sou do tipo que pega, assopra, no máximo passa uma água e manda ver.
Mas existem dois tipos de pessoa: as que sabem que a cozinha de restaurante já tem suas nojeiras em quantidades satisfatórias, e as que mandam a comida voltar pra darem uma temperada com suor de saco. Sou das primeiras.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Jantar em Família (Giovanna)

Era para ser apenas um jantar. Chamei meus pais e meu irmão (com minha cunhada e minha sobrinha, claro) para comer lá em casa. Óbvio que embora a janta tivesse sido bem preparada, sabia que a disputa em importância ia ficar com a Giovanna, e não deu outra.
Contarei de forma não-cronológica, pois o melhor aconteceu logo de cara. Mas após o jantar, mostrei a ela uns docinhos que tinha guardado para ela. Quando ela mordeu, fez cara de quem não gostou e falou que não comeria mais aquilo. Não entendi, já que ela gostava daquele docinho, mas ela me vira:
- Pô, titio... me preparei toda pra comer o docinho... Brincadeira!
Reclamando desse jeito, como poderia eu ficar puto com essa criatura?
Mas o pior foi antes do jantar. Ao que todos pegaram seus pratos e talheres, percebi que o número de garfos era maior, e estava faltando faca.
- Alguém aí quer faca?
Umas três pessoas disseram "eu!", uma delas a Giovanna, que ainda complementou:
- Eu quero uma faca... pra eu poder me matar!

Puta que pariu, aquele silêncio na mesa, só eu rindo! Essa garota pegou alguma coisa do meu humor.
Amei a piada, pena que ela será incompreendida... hehehe.

Só isso. Texto babação pura.