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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Subjetividade

Está faltando subjetividade no mundo.
As pessoas não estão sabendo interpretar além das palavras, das imagens, estão guiando-se apenas pelo literal.
O retrocesso vem pela perda poética. Quando deixamos de interpretar palavras e imagens e nos prendemos a elas, não a o que elas remetem, perdemos a humanidade.
Se há racismo denunciado em uma obra, as pessoas acham que é uma obra racista. Se há pedofilia retratada, que é uma obra pedófila. E o contexto? A ironia aqui não pode mais estar presente, porque, ironicamente, perdeu-se.
Mas há salvação.
Por mais clichê que seja, a salvação está nas crianças.
Peguei uma faca de pão, estava na hora do lanche. Chamei Giovanna para comer.
- Eu não tô com fome agora, titio.
Apontei a faca para ela, com uma cara ameaçadora.
- Olha aqui, vai comer sim, senão eu te corto toda!
Ela riu.
- Não tá vendo que eu tô com a faca na mão? E você sabe que eu tenho um machado aqui, hein...
Ela riu mais ainda.
- Você não faria nada comigo. Você me ama.

Puta que pariu. Quando uma criança de 7 anos é mais inteligente do que todo um grupo de seres humanos imbecis que não conseguem ir além do óbvio, é porque estamos mal... mas há salvação.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Jantar em Família (Giovanna)

Era para ser apenas um jantar. Chamei meus pais e meu irmão (com minha cunhada e minha sobrinha, claro) para comer lá em casa. Óbvio que embora a janta tivesse sido bem preparada, sabia que a disputa em importância ia ficar com a Giovanna, e não deu outra.
Contarei de forma não-cronológica, pois o melhor aconteceu logo de cara. Mas após o jantar, mostrei a ela uns docinhos que tinha guardado para ela. Quando ela mordeu, fez cara de quem não gostou e falou que não comeria mais aquilo. Não entendi, já que ela gostava daquele docinho, mas ela me vira:
- Pô, titio... me preparei toda pra comer o docinho... Brincadeira!
Reclamando desse jeito, como poderia eu ficar puto com essa criatura?
Mas o pior foi antes do jantar. Ao que todos pegaram seus pratos e talheres, percebi que o número de garfos era maior, e estava faltando faca.
- Alguém aí quer faca?
Umas três pessoas disseram "eu!", uma delas a Giovanna, que ainda complementou:
- Eu quero uma faca... pra eu poder me matar!

Puta que pariu, aquele silêncio na mesa, só eu rindo! Essa garota pegou alguma coisa do meu humor.
Amei a piada, pena que ela será incompreendida... hehehe.

Só isso. Texto babação pura.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Promessa para Giovanna

Encontro minha sobrinha, coisa mais linda do titio babão, que acabou de fazer um desenho para mim e um para "tia Lu": o dela, um desenho da Luciana com a Frozen; o meu, um desenho meu olhando uma garota apavorada sendo atacada por um tubarão.
Converso com ela algumas coisas, e quando estava indo embora, ela pediu para eu ficar mais. Não podia, mas prometi pegá-la durante a semana para dar um passeio.
- Você jura?
- Juro - respondi.
- Diabo, Diabo?
Olhei pra ela, estranhando e comecei a rir. Minha mãe se intrometeu na conversa:
- Que isso, não fala isso, que coisa horrível.
Giovanna calmamente explicou:
- Ué, vovó, meu tio não gosta de Deus, aí se eu perguntar "Deus, Deus?", ele vai falar "Não!". Aí eu tenho que perguntar "Diabo, Diabo?"...
Ri mais ainda, fiz "toca aí" com ela e respondi.
- Diabo, Diabo.

Agora está prometido, não posso descumprir!

sábado, 6 de agosto de 2016

Aniversário Giovanna 6 anos

Após eu postar um texto no facebook para Giovanna, ela ditou para Joyce uma resposta. Reproduzo aqui para deixar gravado o meu texto e o dela.

Eu: "Ontem foi aniversário dela, a coisinha mais bonita do titio!
Sou babão mesmo por causa dela, ela sabe que com o titio ela pode fazer bagunça, pode falar besteira, afinal, o adulto mais legal, que ela não sabe se é adulto ou se é criança ("você é adulto, tem 30 anos, mas tem um monte de brinquedo, titio!"), o único que deixa ela ver filme de terror escondido... E o único que sabe dar comida pra ela, fazendo boca de bicho, de monstro que come avião e mata todo mundo...
Enfim, uma sobrinha que espero que cresça sendo muito minha amiga!
Faz ela ler isso aí, Joyce!
BEIJÃO, CRIATURINHA MAIS LINDINHA DO TITIO!"

Joyce: " Li agora pra ela, ela disse "Onw, amei! Titio vc não sabe quanto eu te amo e vc não sabe quando eu olho em vc meu cérebro quase explode e vc é o tio mais lindo do mundo e vc é a criatura mais linda do mundo, um beijão pra vc e tia Lu tb! E o titio não pense q foi a minha mãe q escreveu isso pra você e pra tia Lu, tá bom? Foi eu q escrevi, não foi minha mãe e nem meu pai, nem ninguém... E pra vc tb tia Lu (Luciana Kani), a mesma coisa q escrevi pro titio é pra vc tb. Beijão!"

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sobrinha Atenta

Fui de Topper para uma festa. Ok, me falaram que não era legal ir de Topper (sabe, aqueles tênis de futebol de salão, todo preto, com uma borracha branca rodeando todo ele na parte de baixo?) em uma festa, mas que se foda, não é legal ir em festa às vezes.
Estava de boa, comendo e bebendo, tudo normal. Minha sobrinha estava dançando; ela tem 5 anos e acha que sabe dançar "passinho" de funk, mas ela fica parecendo uma maluca dando estrela e botando a perna aleatoriamente esticada e dobrada em vários lugares, quase chutando tudo o que tem ao redor. Certamente essa porra cansa, e em dado momento, ela parou, toda suada, e sentou no sofá, a uns 10 metros de mim. Fiz um joinha pra ela, fingindo que ela estava arrasando dançando (ela é super vaidosa e liga muito pra essa merda), mas eu tava interessado mesmo era em salgadinho e bebida (porque tava calor pra caralho! Eu tava suando, e nem tinha dado "passinho"). Depois que eu fiz o joinha, devo ter dado uma bicada no copo, e quando olho pra ela de novo, tá ela olhando pra baixo da minha mesa. Olhei também, não vi nada. Ela estava olhando fixamente para baixo da minha mesa. Olhei de novo, nada. Olhei para ela, e ela, feito uma maluca, veio, meio abaixada, sem piscar, olhando para o mesmo ponto fixo, passando por todo mundo, obstinada. Chegou próximo a mim, esticou a mão e foi direto para o meu tênis.
Um detalhe que não contei: meu Topper estava rasgado, e meu dedinho saía para fora. Para evitar esse vexame, peguei fita isolante e mandei ver na parte preta, afinal, era da mesma cor, ninguém ia perceber, pensei eu. Giovanna tirou minhas 3 camadas de fita isolante, deixando uma ponta branca desabrochar (meu dedinho de meia) no solo fértil do meu Topper. Ela arrancou de uma vez.
- Giovanna! Tá maluca? Olha meu dedinho ali!
- Ih, titio, desculpa! Eu olhei e vi que tinha um negócio todo pendurado aí, achei que era pra tirar...
Nessas horas que eu percebo que, nem tudo o que a gente acha que passa batido, passa batido...

domingo, 27 de dezembro de 2015

A cruz

Giovanna, na passagem do dia 24 pra 25 de dezembro, natal, arrumou uma mesa e falou para rezarem pra papai do céu. Essas coisas não me comovem, ela nem me chamou e fiquei de boas no sofá. Depois disso, ela pegou água e começou a fazer uma "cruz de Jesus" nas pessoas: molhava a mão e fazia uma cruz na testa das pessoas com o dedo molhado, e falava "cruz de Jesus". Chegou na sala, fez "cruz de Jesus" na Joyce. Chegou em mim: "titio, vem aqui"; olhei pra ela, ela já veio com a mão molhada pra cima de mim, aí pra não criar climão, já que meu avô tava do meu lado, abaixei a cabeça pra chegar perto dela. Ela fez a cruz na minha cabeça: "cruz do Mal pra você, titio!"
Eu, obviamente, ri pra caralho, ela continuou, fez uma "cruz do bem" no meu avô, virou pra mim e falou: "Ué, você não gosta de Jesus, cruz do mal pra você, ué..."
 O maneiro é que o "do Mal" é sem preconceito, aceitando o fato de eu não gostar.
Minha sobrinha é foda!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sobre criança, consciência e mendigo

Giovanna passeando hoje comigo pelo Centro, viu um mendigo dormindo na rua, todo coberto.
- Ali, titio, essa pessoa mora na rua. Ela não tem casa!! E todo mundo passa, ninguém pega ela pra levar pra casa... Como é que pode, morar na rua, na rua, titio!
Eu, com a carcaça um pouco dura de ser uma dessas pessoas que não levam as que dormem na rua para casa, concordei, por ser um assunto que me dói...
- É, Giovanna... isso devia ser proibido, né, a pessoa não ter uma casa pra morar...
- Tadinhas delas, titio! Elas não tem casa pra morar! Imagina se fosse eu, morando NA RUA, sem nada pra comer, passando fome... Tadinhas delas, titio...
E eu percebendo que ela tem a mentalidade muito melhor do que muita gente adulta, me calei, simplesmente, perguntando qual exemplo eu poderia dar pra essa garota pra ela não perder esse senso de humanidade. Ela se coloca na pele das pessoas, ela tem a capacidade de saber que é errado porque ela não deseja isso pra ela, ela não vê como monstros por estarem com roupas maltrapilhas, o que é um ótimo começo. Mas ela cortou meus pensamentos, quase com uma resposta:
- Titio, um dia quero ajudar essas pessoas, vamos?
Eu chorei (veio a lágrima, não pisquei o olho pra não escorrer, e deixei o vento secar... mas eu sei que chorei...), e me sinto inútil. Fora comprar salgados para muleques que pedem quando estou em lanchonetes, ou preparar marmitas quando pedem em casa, nunca soube direito como ajudar as pessoas, e hoje simplesmente fui forçado a ver o como estou com essa camada fria de quem vê vários mendigos no centro e acabou se acostumando. E entro em parafuso, sem mensagem bonita, eu não ajudei ninguém hoje na frente dela. Preciso fazer algo para que essa vontade dela nunca morra. Pessoas morando na rua não deveria ser algo normal. Subvida não deveria ser algo normal. Eu vou dormir com esse peso hoje...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Giovanna e ética

Levando Giovanna pro cinema. Vou de trem e metrô, o que dá a ela a impressão que estamos LONGE PACARALHO de casa. Então, no caminho do metrô para o shopping, onde ficava o cinema, ela vira e manda:
"Haha essas pessoas aqui na rua, ninguém conhece meu pai nem minha mãe! A gente pode fazer bagunça, né, titio? Vamos fazer bagunça?"
Eu olho para ela, e ela começa a andar pulando e chutando o ar com o calcanhar, da esquerda para a direita, ocupando praticamente toda a calçada.
"Olha, eu posso fazer essa bagunça. Ninguém me conhece, ninguém está olhando pra mim!"
Ela continua pulando de um lado para o outro. Penso se vale a pena dizer que esse pensamento pode... Foda-se. Pulei junto com ela e ficamos "fazendo bagunça" até chegar no shopping.

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Antes, no metrô, anunciei pra ela que ia ver o Faith No More no Rock In Rio (e ela ama "Falling to Pieces"). Falei:"Vou ver 'baaaaack and foooorth I sway with the wiiiind...'".
Ela fez uma cara de surpresa e desespero, e falou, toda imperativa "Eu VOU!!! Você vai me levar nesse show!!!" Aí eu: "Eu falei pra sua mãe comprar ingresso pra você ir, Giovanna, mas ela não comprou!" Ela: "Então você vai ter que me levar!!! Eu vou com você!" Eu: "Mas como, se não tem ingresso? Já sei... vou te levar dentro da minha mochila!" Ela: "Ei, tá doido? Mas como eu vou ver o show de dentro da mochila?" Eu:" Não, eu te tiro da mochila lá dentro...". Ela: "Não, você me coloca dentro da sua camisa, e se te perguntarem, você fala que comeu uma melancia inteira! Aí depois eu vejo o show lá dentro! Tá bom?"
 Dá vontade de levar mesmo... pena que ela não ia agüentar o pique do dia inteiro...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Giovanna e piadas



Voltando de Caxias para Braz de pina, com Giovanna.
Giovanna: Titio, vamos brincar de piada?
Eu: Vamos... (comecei com a clássica) O que é que tem bico mas não é pássaro, tem asa, mas não voa?
Giovanna pensa... bota a mão na boca.
G: Uma ema!
Eu penso... puta que pariu, acho que ema é um pássaro, grande, mas um pássaro... mas ela não tem como saber isso, e deu uma ótima resposta... Mas enfim...
Eu: Errou! Uma chaleira!
G: Uma chaleira... hmm...
Percebi que ela não entendeu, e nem deve saber o que é uma chaleira. Eu não sei o que é uma chaleira... e acho que oficialmente, a resposta é "bule"... Seguimos.
G: Agora sou eu! O que tem pé, mas não anda?
Eu: Um aleijado!
G: O que é um aleijado?
Eu: Uma pessoa que tem pé, mas o pé não mexe, fica paralisado.
G: Acertou!
Eu: Não, fala, o que é que tem pé mas não anda?
G: Um aleijado!
Eu: Não... fala o que você tinha pensado...
G: É isso, titio...
Eu: Ok... tá, vai você de novo...
G: O que tem asa, mas não voa?
Eu: Sem ser a chaleira, né?
G: É...
Eu: Hm... não sei!
G: Um tubarão!!!
....
Eu: Giovanna, tubarão não tem asa...
G: Ihhh... é mesmo!
Mas acho que adivinhações desse tipo são muito mais legais! E terminou com ela morrendo de rir com a piada dos tomates tentando atravessar a rua... Pediu preu repetir umas cinco vezes...