quinta-feira, 18 de maio de 2017

Desejos

No mesmo lugar de sempre. Ele terminou sua refeição, e agora, como já é usual, procura por ela. Comeu como um touro, e o encontro com ela passou a fazer parte do que o próprio chama de terapia: alguns minutos com ela e ele já estaria disposto a voltar ao batente; quando ela não estava, ele voltava à mesa do almoço, permanecia por horas a fio, olhando para algum ponto qualquer, sem olhar nada.
Ela não estava lá, mas havia uma outra. Mais nova. Hesitou. Fez a aproximação mais cuidadosa, e esbarrando levemente nela, sentiu-a: era firme, possuía uma rigidez no lugar da flacidez da outra. Aquilo não ajudava.
Ele já estava acostumado à flexibilidade da outra; a facilidade com que ficava molhada por inteiro; o modo como ela encaixava-se suavemente em suas mãos e deslizava por onde ele passava. Mas tentou. Pegou de mal jeito, e percebeu que realmente, ela era toda dura. Não caiu-lhe perfeitamente na mão. Mas tentou, mesmo assim.
Após algum tempo, ela não estava molhada por inteiro, mantinha-se meio seca, se é que era possível isso. Ou apenas era um bloqueio de sua mente. Mas assim é a vida. Provavelmente nunca mais encontraria a outra (a essa hora, onde estaria? Talvez jogada em algum lixo por aí); e afinal de contas, a "outra" havia substituído uma outra anterior a ela... E é assim que o mundo gira.
Foi horrível, mas ele sabia que com o passar do tempo, essa nova acabaria ficando mais maleável, exatamente como era a esponja velha.
Ele odiava lavar a louça, ainda mais quando trocavam por uma esponja nova.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Banco Imobiliário

Vocês têm noção que todo mundo tinha sido avisado que a vida ia ser uma miséria com um filho da puta tentando pegar todo o dinheiro do mundo pra construir casas e comprar companhias de energia e transportes, que ele não precisa, só pra te deixar mais pobre?
Banco Imobiliário (com o sugestivo nome em inglês MONOPOLY) tava gritando na nossa fuça, e a gente rindo, achando legal...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Baratos da vida

Todo mundo já ouviu dizer que algo ruim "saiu caro"; ou que fulano "acabou pagando caro", quando uma situação que parecia vantajosa dá uma merda e vira algo negativo.
Todo mundo já teve aquele amigo maconheiro que largou tudo para curtir "os baratos da vida"; ou aquela pessoa da década de 70 que exclama "mó barato, cara!", quando vê algo muito bom, fantástico.

Prestem atenção, cambada de filho da puta!!!
Ruim? = Caro
Ótimo? = Barato

Utilizem essa lógica pra comprar vinho e nunca mais serão cometidas injustiças com os "Solar de España" da vida.

Give me vinho barato, bitch!

Sonho do Crocodilo

Sonho louco do dia.
Estava eu em algum lugar, uma casa que eu tinha alugado. Tava recolhendo as roupas lavadas, quando o pessoal da casa chegou. Eram todos brancos de cabelos laranja, aí eu pensei que poderia estar em alguma confusão de gangue sei lá, mas os caras estavam vermelhos de praia o que faziam estarem sensíveis a qualquer tapa. Se fosse uma gangue, estavam fragilizados, pensei. Ok. Mas os caras me chamaram para gravar um clipe, eram uma turminha de audiovisual, só eram meio playboys. Beleza. Me deram uma
Mochila cheia de mentos como forma de pagamento (nem em sonho me deixam receber dinheiro nessa porra, puta que pariu...). 
Aí estava gravando o clipe, que na real era uma encenação, aí apareceu a Luciana, minha sobrinha, todo mundo, porque estava sendo gravado em um clube. E tudo era pago pelo padrasto do playboyzinho ruivo mor, que era quem estava comandando a parada. Beleza. 
Terminada a parte do clube, tivemos que pegar um barco enorme (mas não era um navio, era um barco de madeira, enorme) e então apareceram várias pessoas da minha família, minha tia, o namorado dela, o filho mais novo dela, o Lucas, e minha prima Victória. Eu, Lucas e Victória ficamos na parte da frente do barco (popa, proa, putaquepariuoa, foda-se, use sua sabedoria marinhesca). Pegamos o rio e fomos... Até que chegamos a um enorme rochedo, onde o rio formava ondas, não sei como, mas era como se fosse o mar. E as ondas impulsionavam o barco rochedo acima! Para chegar onde tínhamos que chegar, as ondas gigantes (ou seus resquícios) batiam no barco, que impulsionado pela onda, subia a rocha até onde a onda alcançasse. Da primeira vez, fomos até quase o topo, mas a onda perdeu força e o barco começou a cair junto, de volta para o rio / mar. Nisso, para não cairmos e ficarmos já a meio caminho do topo, eu e Lucas nos penduramos no barco e fincamos as mãos nas pedras, tentando segurar o barco, e o fizemos por algum tempo. Depois, começamos  a perder força, soltamos as pedras e o barco começou a cair tudo de novo. Enquanto esperávamos nova onda para impulsionar, o Lucas resolveu se amarrar a uma corda que estava na p__a (parte dianteira) do barco, e ficar pendurado do lado de fora. Eu o avisei que no que o barco subisse, ele seria arrastado nas pedras e morreria, mas nem deu tempo de ele repensar, e uma onda atingiu o barco. Começamos a subir, e nada de eu ver o Lucas, que estava submerso, e imaginava eu, deixando lascas do seu frágil corpo de mosquito nas pedras. Aí nesses desespero de achar que o muleque tava morrendo, olho pra direita e um FUCKING crocodilo gigante passa, totalmente de buenas, pegando carona na onda. E eu olho pra Victória e comento "cadê o Lucas? Falei que ele ia fazer merda", e quando eu procuro o Lucas na p__a do barco, vejo, mordendo a corda a qual ele se amarrou, o crocodilo, que só a cabeça já tinha o tamanho do Lucas. Percebi que o Lucas tinha sido comido pelo crocodilo, e fiquei mal. Avisei minha prima, o namorado da minha tia, mas não tive coragem de falar com ela. Fiquei abatido, mas o barco chegou à África do Sul (??????), que era onde seriam as gravações, e aí tinha gorila solto, e o crocodilo gigante passou perto da gente encarando, eu olhei com raiva pra ele... 
Eu ainda teria que gravar, mesmo naquelas condições e... Acordei!

Cara, fiquei muito aliviado que era sonho, porque eu ODEIO MENTOS!!!!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Homicídio

Hora de matar.
Você agüentou por muito tempo essa convivência escrota, absurda, apenas por um puro moralismo. Sim, uma fraqueza moral, para dizer a verdade: não conseguia aceitar a idéia de matar. Mas passam-se os anos, a convivência diária vai ficando insuportável, e você percebe que ela merece ser morta.
Bateu o martelo, finalmente, seu frouxo! O negócio agora é decidir "como". Bom, minha opinião, você sabe: evitar o uso de armas de fogo; muita bagunça para pouca criatividade. Machado é sempre uma boa pedida, senhor. Sim, sim. Brutal, primitivo, sem muita firula. Mas é necessária habilidade e frieza para MATAR; não basta aleijar ou causar danos. Facão, ok também. Cortes são bonitos, chocam e permitem os mais diversos ataques, aos pontos mais variados do corpo. Acertando um letal, tudo certo.
Ah, o convívio com ela começou cedo, não? Quanto tempo faz? 20 anos? Pouco mais? Enfim... ela começou chegando-se, inocente, e foi crescendo em importância na sua vida. Quantas coisas você fez por causa dela? Tudo o que ela lhe inspirou... Surgiram coisas bonitas, de verdade. Mas quando chega a hora, não tem jeito.
Vá lá. Mate-a.

Eu sempre adoro quando chega a hora de matá-la.
Ela.
A vontade de suicidar-se.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Covardia (ou cordel antihomofobia)

Marcelo era  garoto
Desses, sem nenhum arreio
Diz-se livre, leve e solto
Quando bêbado, sem freio

Jogava-se, quase voando
Aos corpos de umas meninas
Vivia sempre amando
Mas triste era sua sina

Os meninos não escapavam
Das voadas do menino
Tocando-se, apalpavam
Descobriam o grosso e o fino

Respeitava a rejeição:
Não querendo seu pau ou o cu
Ele pegava um vento sul
Partia em nova direção

Queria rodar o mundo
Voando, vista cerrada
Mas um pensamento imundo
Fez a coisa dar errada

Esbarrou-se, então, com Pedro
E sua turma do mal
Este negava o desejo
Mas enrijecera-lhe o pau

Não sabendo como agir
Por pura homofobia
Pedro resolveu punir
Marcelo na covardia

Fez jus à fama de mau
E o garoto foi espancado
Chamaram-lhe de viado
E pintaram de colorau

Um violento bacanal
Deu triste fim a um erro
Por medo do prazer anal
Hoje temos um enterro.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Tipos de pessoa

Existem dois tipos de pessoa: um que eu me identifico e outro que não. E isso vai ao infinito, e dois tipos é o caralho, sejamos francos: "dois tipos de pessoa: o tipo que chupa buceta com vontade e o que tem nojinho..."; "o que chupa picolé e o que morde o picolé...", etc. Enfim. Vou falar de dois tipos específicos: os que jogam o alimento que caiu no chão fora e os que assopram e utilizam.
Confissão - e sim, se você comeu ou bebeu na minha casa, provavelmente algo deve ter caído no chão, porque "existem dois tipos de pessoa: os que não são estabanados e os que são como eu". Bom, geralmente eu penso que o chão deve estar mais limpo do que os de restaurantes que eu já fui, e às vezes pago caro até por isso, então, não vejo problema, mesmo. Mas certas coisas, até o mais fresco dos frescos devem me dar razão.
Deixei cair um pote de amoras. Sabe, a frutinha roxa gostosa a beça, que geralmente a gente pegava na rua? Pois é, essa merda é cara pra caralho! Comprei um potinho porque tinha tempos que não comia amora (a última vez, parei em frente a uma amoreira carregada, que fugia do quintal onde estava plantada para a calçada da rua; no que colhi as primeiras amoras, um carro sobe a calçada, e a mulher entra na casa, me deixando totalmente sem graça, tipo um Chico Bento roubando frutas do pomar alheio). Um potINHO, bem pequeno: R$ 6,99. É muita vontade de comer amora. E essa merda, quando fui pegar da geladeira, me cai no chão, espalhando todas as amoras, cada amorinha daquele plástico maldito (que abriu-se como uma vagina sedenta de ser devorada) jogadas pelo chão da cozinha. Óbvio que pensei "calma, é só lavar...", mas um outro pensamento me veio, ao mesmo tempo. Algo tranqüilizador, de certa forma; minha memória puxou uma saída recente, a um bar legalzinho, que já até apoiou um curta meu. Eu e Luciana fomos almoçar, ela pediu salgadinhos de petisco; ela queria salgadinhos variados para experimentar, o garçom falou que não podia, pois era pacote fechado com a quantidade certa. Ok. Um bolinho veio refrito. Quantidade certa, meu ovo. Ela fez questão de encrencar. Eu quis comer aquilo refrito mesmo; ela separou e pediu pro garçom trocar. Ele tentou argumentar que não dava, mas ela não mudou uma vírgula da reclamação. Voltou um outro salgadinho, mais bonito, certamente. Ela não comeu, ia pedir para embrulhar para a viagem. Eu sabia que o bolinho tinha sido passado nas axilas e nas partes íntimas de quem fritou. Tomei coragem, respirei... torci pra cozinheira ser mulher: antes um bolinho passado na buceta do que um passado no saco. Comi aquilo. Antes comer um bolinho zoado apenas uma vez, do que saber que o bolinho voltou para a cozinha, com o garçom dizendo: "Aí, a mesa que pediu para voltar o bolinho refrito não comeu esse que você fritou e pediu para botar pra viagem. Embala com carinho, só não deixa pentelho visível, beleza?".
E a amora, nesse chão limpinho, quem vai reclamar? Tem nem cheiro de bunda ali... Sou do tipo que pega, assopra, no máximo passa uma água e manda ver.
Mas existem dois tipos de pessoa: as que sabem que a cozinha de restaurante já tem suas nojeiras em quantidades satisfatórias, e as que mandam a comida voltar pra darem uma temperada com suor de saco. Sou das primeiras.