Uma coisa que me deixou muito inquieto esses dias foi o fato de eu ter sonhado duas vezes com meus tios (Flávio e Elô, de Bauru), e como todo sonho, acontecer coisas muito bizarras. Ao mesmo tempo, peguei um livro do Jung no qual ele fala do simbolismo nos sonhos, o que me parece um desafio tentador de tentar explicar os meus sonhos. Mas não vou. Vou apenas narrá-los aqui, pois são de uma beleza poética indescritível. Vou fazer o possível para que vocês tentem imaginar as cenas.
Sonho 1:
Estou de frente para um imenso muro cinza, velho. Alguém me taca para o alto, e eu quase vôo, conseguindo passar da altura do muro. Permaneço mais tempo acima do muro do que a lei da gravidade no mundo real me permitiria, o que me faz ver uma outra construção, como se fosse uma torre de um castelo, também cinza escura, e velha, na qual, em sua janela, aparecem esses meus dois tios. Eles falam comigo, apontando para baixo, onde existe algo parecido com uma fralda de bebê, toda branca, e eles dizem algo como: Pega a maconha! Vai! Fuma!
Me sentindo impulsionado a isso, quando eu desci, estava em minha casa, mas não era nada parecida com a minha casa, embora no sonho eu sentisse que era minha casa. E pedi para que me tacassem de novo para cima. O lugar onde se encontrava a maconha era depois do muro que eu estava ficando acima, e tinha muito mato. Muito mesmo. Eis que alguém me tacou para cima de novo (não lembro de nada sobre a pessoa que me tacava para cima), e eu segurei no muro, e dessa vez, ao invés de ficar olhando apenas o lado de lá, e cair, eu fiquei em cima do muro, segurando, e pulei para o mato, onde se encontrava a fralda de maconha.
Caí no mato, e fui correndo, pegar aquele embrulho branco. Assim que peguei, dei a volta ao muro por baixo mesmo (sim, eu não precisava pular... eu só precisava desviar do muro... mas sonhos são sonhos...) e voltei para a minha casa. Em frente a uma porta, fiz um cigarro com a maconha usando papel higiênico, mas ficou muito torto, como se fosse um daqueles papéis onde velhinhos vendem amendoins: quase um cone. Quando eu ia arrumar, minha mãe chegou com meu primo, Júnior, e então eu disfarcei, com o papel higiênico na boca (?!?!?!) e botei a fralda de maconha (um troço enorme) no bolso de trás da bermuda, e entrei pra casa. Lá dentro enrolei o cigarro direito e não lembro de ter fumado. Não lembro de mais nada. Dizem que afeta a memória.. até em sonho???
Sonho 2
Eis que, no dia seguinte, ou dois dias depois, eu sonhei que estava em Bauru, em uma casa bonita, e muita gente estava lá. Esses meus dois tios estavam largadões no sofá, morgados, e eu cheguei e falei: "Caralho! Sonhei com vocês! Vocês me mandavam fumar maconha e eu tentava pular um muro... Muito louco!" E simplesmente só me lembro disso. Eu contando um sonho dentro de um sonho, em uma sala alaranjada, um sofá meio louco...
Enfim... sonho é muito foda.
No more tears... digo, words.
Pode ser que um dia isso venha a convencer a cabeça de uma borboleta, mas duvido que mangas conseguem nadar... Não acredito mesmo...
ROBOTS 5.2 : 1985-1989
Há 2 anos