quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Lambidelas

I.
Desde muito cedo
Fui várias vezes seduzido.
Aquele corpinho arredondado,
Coberto de um vermelho tesudo
Mesmo sem mostrar nada
Deixava-me tarado
Por o que estava guardado.

Eu olhava fixamente
Desejando a parte rosada
Eu não tinha fome
Mas a gula me tentava.

Parecia que a vontade
Quanto mais em mim crescia
Afastava de meus lábios
Pra mais longe essa delícia...

II.
Tempos depois do poema acima, uma caiu-me nas mãos. Não sabia o que fazer, tentava controlar a situação, mas é difícil, quando você deseja por tanto tempo algo. A ansiedade batia à porta, mas eu precisava manter a calma para não estragar aquela experiência. Continuava como eu a desejava: a roupa pode ter mudado, o vermelho não era mais tão vivo, ou pode ser apenas o meu defeito de fábrica, que não sabe nada de cor. Enfim, só sei que fui com sede ao pote, literalmente, e após uma manobra com o dedo para abrir levemente, o que eu vi parecia brilhar. Fiquei confuso, feliz, e naquele êxtase de quem conseguiu achar o que queria, larguei as boas maneiras de lado e caí com a língua naquela concavidade! Que delícia! Textura e gosto muito bons, não dava vontade de parar de lamber! "E tem gente que perde tempo com textura e sabor e cheiro de vinho...", pensava eu, enquanto a língua estava a toda. Queria me afundar naquele potinho... E não acabava o líquido... e eu continuava, continuava... sei que sobrou um pouquinho, e tive que usar o dedo para saciar-me.
Estou de parabéns, acabei com todo o iogurte (o que você pensou que era?).

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Essa BABAQUICE toda, só pra eu externar um pensamento:
"Buceta deve ser lambida como tampa de pote de iogurte: com vontade, sem precisar que alguém peça, muito menos sentindo a obrigação de fazer. Não tem coisa melhor pra lamber na vida. Digo, essas duas coisas... tampa de iogurte e buceta, estendendo-se às áreas conexas."

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

910 ou A volta ao mundo passando por Madureira

Segunda-feira chuvosa, melhor dia para uma história triste... Ela é verídica, e aconteceu há quase 20 anos atrás, quando o nosso protagonista tinha seus 12, 13 anos. Vou chamá-lo de Efe. E agora começa a história.
Efe era um rapaz recém-chegado ao Rio de Janeiro: morou a infância toda em uma pequena cidade do interior paulista, a qual tinha como referência de cidade. Na mudança para a capital carioca, percebeu que tinha que mudar seus parâmetros: foi à Penha e achou que tinha ido ao Centro (porque tinha um calçadão e comércio...), ia a um bairro mais distante e achava que tinha viajado a outra cidade, essas coisas. Mas enfim, foi aprendendo a se locomover na metrópole.
Um certo dia, os pais de Efe deixaram ele na Ilha do governador, por algum motivo que não lembro, e disseram que na volta, era só pegar o 910 (Freguesia - Madureira), que "passa em frente à estação de braz de pina", disse a mãe de Efe. Ok.
Efe pegou o 910 na volta para casa. Ele passou por alguns bairros, e quando chegou na Penha, sabia que estava próximo a braz de pina (sim, o caminho reto da casa até a estação de seu bairro ele conhecia bem!), ficou atento. Quando chegou na rua do antigo Dallas (supermercado), o ônibus tinha duas opções: seguir reto e chegar na estação de braz de pina (caminho que ele conhecia); ou virar à esquerda do Dallas e seguir por um caminho totalmente desconhecido para Efe. O ônibus virou à esquerda... Efe seguiu tranqüilo... Quer dizer, deu aquela levantada e olhou para trás, vendo o caminho que ele conhecia ser abandonado, mas pensou: "minha mãe falou que passa em frente à estação de braz de pina. Vai passar em frente à estação." Sentou novamente, com um sorriso nervoso, pensando que o ônibus chegaria onde ele queria, apenas por um caminho diferente. Após cinco minutos ele percebeu que não passaria, a fé na promessa materna se desfez, mas ele continuava tranqüilo. Ele lembrava que o ônibus ia para Madureira! Ora, na rua dele tinha um ônibus, 940, que era Ramos - Madureira, e sempre que ele pegava o ônibus, o trajeto não demorava mais que cinco minutos (ele ia de braz de pina à estação de braz de pina...), e, óbvio, pensou ele, Madureira devia ser pertinho de casa, porque o trajeto do ônibus não podia ser bem maior do que ele utilizava (puta que pariu, como podia ser tão burro e egocêntrico???). Conclusão: pensou que melhor do que descer e andar um pouco mais, seria descer em Madureira e pegar o 940 para descer em frente à sua casa. Uma lágrima chega a escorrer quando releio o que acabei de escrever.
Passaram dez minutos, quinze, vinte minutos, meia hora... E Madureira não chegava. Começou a bater aquela aflição: "caralho, eu nem sei o que é Madureira, se matam pessoas a toa por lá, fudeu!" (Anos 90 no Rio... Matavam por qualquer coisa... Ao menos no O Dia mostrava isso). Maluco, o 910 passava em Bauru mas não chegava em Madureira. Depois de mais de uma hora, puta que pariu, o ônibus para no que parecia ser uma grande excursão a um banheiro gigante; não, não tinha privada, nem pia, apenas um cheiro de mijo impregnado no local, e uma fila de ônibus. Definitivamente, o ponto final.
Efe estava exausto pela viagem, perdido, sem saber o que fazer. Procurou o 940 rapidamente, não viu, mas viu um orelhão. Ligou a cobrar pro pai. Pediu para ser resgatado ( o fôlego estava acabando), tinha ficado preso por horas na merda do ônibus. O pai mandou ele pegar o 940. Bateu o telefone do orelhão, desolado. Perguntou pelo ônibus, achou. Pegou o 940 de volta para a casa. Passou mais duas horas no ônibus: conversou com o trocador, aprendeu o que eram os números que eles falavam pro fiscal (a hora de saída do ônibus do ponto final), aprendeu que "bola bola" é hora cheia, dois zeros... Enfim, poderia ser trocador de ônibus por conta dessa viagem. Teve tempo para dormir no ônibus também. Teve tempo para sonhar. E na verdade, ficou preso em um vórtex que o leva de Madureira para Ilha, da Ilha para Madureira, depois de Madureira para Ramos, de Ramos para Madureira, daí para a Ilha, etc. E continua com o olhar perdido de criança, mesmo velho.
Mentira.
E chegou em casa.
Perdeu um dia inteiro de vida nos ônibus que levam para ou saem de Madureira.
Depois desse desabafo, assumo, a criança era eu. E acho que isso explica o porquê de, mesmo lotado, prefiro pegar o BRT do que pegar ônibus para Madureira...
Vai terminar assim, sem final, triste, como foi esse dia.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Meu Reino...

"Meu reino por uma pizza!" - gritei, soberbo.
- Você é um babaca! Não tem dinheiro pra comprar pizza, muito menos tem um reino, seu merda!
E foi assim que parei de repetir esses bordões sem sentido.
Sem reino.
Sem pizza.
Sem sentido.
Sem nada.

domingo, 8 de novembro de 2015

Sabedoria sobre a vida

"A vida é um grande crowdfunding...
Você acha que as pessoas querem te ajudar, mas todo mundo só está interessado nas recompensas que você oferece..."

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Detesto

Sabe aquela empada de camarão que 25% é ar, 25% é o creminho com UM camarão filhote e 50% é uma azeitona de Itu, que contamina os 25% do creminho com o gosto de azeitona, e geralmente, fica presa no teu dente devido à mordida animada que você deu, achando que ia comer uma empada de camarão?

Um dos maiores fracassos repetitivos na vida de quem detesta azeitona e ama camarão.

Sonho louco do dia 2

Sonhei que eu estava no Odeon vendo uns filmes, a sessão lotadaça, tive que roubar lugar de outras pessoas, sentei longe dos meus amigos, um inferno. E quando começa a passar, o pessoal botou os filmes para passar em 3 TVs, uma em cada lado e uma no centro, pequenininhas. Não passava no telão. Saí da sessão meio puto, conversando com a Luciana, porque o pai dela não quis emprestar o carro, eu falei que a gente ia andando até a Cidade de Deus, com o risco de ser atropelado. Nisso, nós dois viramos cavalo e égua respectivamente (sim, viramos cavalo, que caga na rua, sabe?), e trotávamos pela Dom Helder Câmara, quando eu avistei uma van com a parte traseira aberta. Pensei: "dá pra pegar uma carona pra andar menos". Me comuniquei com a Luciana (que era uma égua jeitosinha), e sentamos na parte traseira da van (que era como um mini caminhão de transporte). Quando sentei e olhei pra trás (eu ainda era cavalo), percebi que era uma van da Sadia, e pensei "fodeu, vão me matar e usar minha carne pra comer". Aí foi um momento de desespero, pois além do amontoado de carnes processadas perto da gente, dava pra ver um cara com touquinha de açougueiro, todo de branco, cortando carnes. Sabe aquele momento que você tenta avisar sem palavras à pessoa que está contigo de que vocês têm que sair do local depressa, de preferência antes que notassem que dois cavalos estão sentados na parte traseira da sua van? Então falei alto, como se quisesse justificar minha saída: "Ahh... Dom Helder já... Vamos descer aqui, só deixa parar...", como se falasse pra Luciana (sabe aqueles momentos que você fala alto e pisca o olho pra pessoa, fingindo não ter percebido se tratar de um açougue ambulante. Eis que o cara que estava cortando a carne percebe e empurra uma porta de vidro lateral que fecharia a parte de trás, prendendo-nos para a morte. Eu, malandramente, empurrei com minha pata de coice a porta, impedindo-a de fechar. Logo depois a van parou e eu desci. E lá estava eu, novamente na forma de homem, Fabiano, no asfalto, em pé, esticando a mão para a Luciana (na forma de mulher) descer. Eis que percebo que a van está parada em um buraco enorme, e por milagre ainda não caiu. Falei pra Lu pular mesmo, pra não cair no buraco, e tentava dar a mão a ela. Não alcançava. A coisa piora: por ela ter virado mulher de novo, e eu ter saído da van, desequilibramos a van, e a Luciana tinha que ficar numa posição certa para que a van não virasse. Eu falei para ela ir para a esquerda, onde eu estava, e deixar a van virar, e quando chegasse perto do chão ela pulava; mas pessoal que assistia tudo começou a falar que isso ia matar as pessoas dos carros próximos à van. Nisso, num desespero entre salvar a própria vida e as pessoas criticando (a van ia virar de qualquer jeito), Luciana pula e eu não consigo pegá-la. E tal qual uma mistura de boneco do hermes e renato com cgi feioso de filme trash z, Luciana desaparece no abismo sem fim da Dom Helder Câmara. E eu fico no desespero de que assistiu a essa morte e não conseguiu fazer nada.
Sonho mucho loco do dia.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Nota sobre "Light my fire"

Pode parecer bobagem o que estou escrevendo (e geralmente, realmente, é!), mas ouvir essa música do The Doors na rádio me trouxe mil reflexões. Mentira, uma só. Mas a epifania é essa:

"Por mais genial que seja a música / texto / idéia / filme / pessoa, as pessoas só querem conviver com aquilo a que estão acostumadas."

Explico agora. A música é foda, e tem um solo de teclado de, sei lá, uns dois minutos, nunca parei para contar, e faz parte da música, foi composta como parte da música, onde ao menos para mim, suspende tua animação por um tempo - mas faz parte daquele ambiente da música. Foda-se, não sou crítico musical, mas o lance é que editam pra tocar na rádio e cortam o solo de teclado.
"Ah, é rock... Rock se faz com guitarra, não com teclado..."
E acho que as pessoas estão querendo vidas apenas editadas - cortem as "partes ruins", que, diga-se de passagem, geralmente são as partes mais lentas; pessoal tá viciado em rapidez, instantaneidade, essas merdas que a publicidade de internet banda larga trouxe às nossas vidas.
Se alguém está mal, melhor arrumar outra companhia e quando / se a pessoa voltar a ficar legal, volta a companhia (tira a parte amuada do teclado e bota logo as guitarras). Lê só a parte do livro que você pesquisou na internet que é do seu interesse, foda-se o livro como obra... Pula a parte do filme que as árvores ficam andando sem parar com os hobbits, passa logo pra guerra...
Todo mundo tá sem tempo pra partes lentas, tristes... Tá todo mundo cheirado de informações e respostas rápidas. Idéias novas são rapidamente repelidas por não fazerem parte de um padrão já consolidado. Livros são trocados por resumos de internet. Pessoas mais contidas são consideradas chatas porque ninguém tem paciência mais de tentar ganhar confiança alheia - é tudo na base de atirar "e aí, beleza?" para trinta pessoas simultaneamente em um recinto, "se dar bem com todo mundo" - mas assim como o jornalista que sabe um pouco de tudo, não sabe de nada, ninguém conhece ninguém.
Processos lentos podem valer mais a pena.
Por mais solos tristes de teclado. Por mais tristeza na vida. Por uma desaceleração.
Tô nessa.