quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Crônica Podrônica


Barraquinha do "Salgado + Refresco R$ 2,00". Um cara para, olha, pensa e manda:
- Tem coxinha de frango com catupiry?
Tiazinha do lanche manda aquele olhar de reprovação, franzindo as sobrancelhas.
- De quê? - o olhar dela parecia censurar o cara, como se fosse uma professora pedindo para o aluno reformular a pergunta.
O cara solta, baixinho, humilde:
- De frango...
A tiazinha abre um meio sorriso e acena com a cabeça, como quem diz "isso, bem melhor."
Porra, a R$ 2,00 o cara tem que dar sorte de ser carne de frango, e não de pombo. Quer catupiry? Vai pra Cavê, porra!
E eu sigo comendo meu hambúrguer de rato de forno, só observando...

Aula de datilografia forçada

Tenho dedo gordo, sempre digitei errado, desde o mIrc. Mas falar que está estudando na Darcy Ribeiro, na internet, vira "estou fazendo Darcy" ou "É darcy de segunda a sábado...". Isso me faz dedilhar o teclado cada vez com mais cuidado. Porque o Y fica ao lado do U, o que torna meus dedos gordos um defeito muito perigoso...

sábado, 31 de janeiro de 2015

Estudos Lingüísticos 01

Boceta ou buceta?
A grafia correta, segundo o Aurélio, é boceta.
Mas eu, que tenho intimidade,
E sei que ela curte variações lingüísticas,
Encho a boca mesmo é de BUCETA!

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Samambaiis 30/01/2015


Aí, sério, vim pensando essa porra no ônibus, e me achei genial. Tipo Fabiano Drummond de Andrade. Durma com um barulho desses!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Dad´s little princess

Fiz essa porra aí, num dia inspirado. Não posso falar mais nada sobre isso. Hehehehe

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Velhos do centro

O caos do centro da cidade:
Pessoas correndo, camelôs, furtos,
Ray-ban, relógio, galinha pintadinha,
Executivo, mala, arrogância, "é 3 por 10",
Aparecem eles, de chinelinhos
Com a paz de quem já dominou o tempo.

Sentados no banco da praça
Vendo o tênis lascivo
Bunda à esquerda, bunda à direita...
Vão os velhinhos olhando as bundas.

Em um dia aprende-se a ter calma.
Aqui o tempo, a bunda...
Aqui o tempo abunda.
Aqui, há tempo à bunda.

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Acho de uma beleza honesta o tempo que esses velhinhos têm, só para ficar na praça, olhando a beleza feminina, quebrando o caos do centro com sua calma. Não mexem com as mulheres, não falam entre si... cada um no seu cantinho, só observando...
Melhor do que os que alimentam pombos...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Poesia romântica

Porque hoje estou romanticuzinho.

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Eu podia dar-te rosas,
Vermelhas como o mar...
Mas eu prefiro comer teu cu
E deixar tua veia azul!
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Bom dia!

domingo, 14 de setembro de 2014

O Remorso

Gleice e Stefano estão sempre juntos. São um casal feliz, tipo de propaganda de margarina, de propaganda de motel. Sorrisos, safadezas, sentimentos. Seria perfeito, não fosse um porém: Gleice é encrenqueira. Encrenqueira, do pior tipo, aquela que encrenca sem motivo nenhum. Daquelas que até quem torce por ela percebe que, mesmo forçando, Gleice não tem motivos em suas encrencas. Pois bem, no entanto, os dois seguem felizes.
Aliás, tudo ia bem, até que um dia, Stefano resolveu acordar mais cedo e fazer o café da manhã de sua amada. Bateu uma vitamina de morango, botou quatro fatias de pão na torradeira, e depois de torrados, lambuzou-os com manteiga de amendoim. Sem miséria. A manteiga de amendoim fazia até aquela voltinha pra cima, quando a pessoa bota a cobertura com prazer, sabe? E assim foi Stefano, levar o café da manhã na cama para Gleice. Acordou-a com um beijinho e mostrou a bandeja com os pães para ela. Sorridente, Gleice piscou os olhos, espreguiçou-se e feliz, foi ver de perto o que tinha na bandeja. Ao olhar, o sorriso fechou-se e Gleice levantou-se da cama em direção ao banheiro.
Stefano, sem saber o que fazer, foi atrás dela, e perguntou o que havia acontecido, e foi respondido apenas com um "não foi nada...". Encucado, continuou indo atrás dela, para dar um abraço e perguntar se não tinha gostado do café. Ao se aproximar do banheiro, um rolo de papel higiênico acertou em cheio sua cara, seguido de palavras ríspidas, que o lembravam (ele jura que apenas informaram, nunca soube de nada disso antes) que ela não podia comer manteiga de amendoim devido a um trauma de infância, na qual ao comer, teve sua traquéia fechada por uma reação alérgica. Gleice perguntava se ele queria matá-la, e jogava gilete, sabonete, pasta de dente... tudo o que tinha no banheiro em cima de Stefano.
Sem saber o que fazer, Stefano foi para a cama, pegou a bandeja e dirigiu-se à cozinha. Lá chegando, comeu as torradas, que estavam deliciosas, e aguardou Gleice descer. Ao descer, a mesma pediu que ele fosse embora e que se ele a amasse, teria esperado-a para tomar café da manhã; tomar café sozinho significa que não estava nem se importando com ela. Ele tentou argumentar qualquer coisa, mas nada que mudasse a idéia dela: pediu que saísse da casa dela, que ela queria um tempo. Stefano tentou beijá-la, sem sucesso, tentou alegrá-la, ver um outro lado: necas! Enfim, saiu, já que não tinha outro jeito.
Gleice ficou um bom tempo bem, sozinha em casa. Resolveu botar umas músicas ruins que adorava, e dançou, para fingir que isso era a melhor coisa da vida. A noite, como Stefano não ligava, resolveu ligar, dependendo da voz dele, continuaria a briga ou fazia as pazes.
Tuuuuuu... Tuuuuuu... TuuuuAlô?
Uma voz de mulher atendeu. Não conheço essa voz. Esse filho da puta está com alguma vagabunda!
- Quem é que tá falando??? - indignou-se Gleice com a voz feminina do outro lado.
- Olha, senhora... você não me conhece... o dono desse celular é o que seu?
FILHO DA PUTA. Deve estar num puteiro. E a puta é uma sem vergonha que ainda atende o celular dele enquanto ele deve estar lavando o pau...
- Ele não é nada meu! Era um babaca que pagava umas coisas para mim e fazia o que eu queria... mas pelo visto outra aproveitadora tá aí já pra tirar proveito dele, né?
- ... Senhora... o dono desse celular...
- Não preciso saber as putarias que vocês tão fazendo não, tá?
- Senhora... passe para alguém mais sensato perto de você para eu falar, por favor...
- Eu estou sozinha, e muito bem, se quer saber!
- Olha... o dono desse celular... ele foi assaltado, reagiu e tomou dois tiros. Ele está respirando, mas creio que por pouco tempo... Caso a senhora conheça a família dele, por favor avise. Tchau.
Gleice não conseguiu mais dizer uma palavra... NUNCA MAIS! Ela hoje mora sozinha e pesa 238 quilos e 637 gramas. Seu peso aumentou muito porque desde esse acontecimento, há 7 meses atrás, ela se obriga a comer 5 potes de manteiga de amendoim por dia, com colher. É sua única refeição, desde aquele dia, até o último dia de sua vida.